Nos últimos anos, alguns alimentos deixaram de ser apenas produtos consumíveis para se tornarem símbolos de luxo e tendências globais, trazendo impactos econômicos, sociais e ambientais. Um exemplo marcante é o chocolate de Dubai, composto por creme de pistache e fios crocantes de Kadaif, também conhecidos como “cabelos de anjo”.
Produzido pela Fix Dessert Chocolatier, o doce ganhou popularidade rapidamente nas redes sociais, tornando-se uma sensação internacional. Cada 100 gramas do chocolate são vendidas, em média, por sete euros, estimulando receitas caseiras e elevando a demanda mundial por pistache.
Dietas da moda
O aumento da demanda por pistache impactou diretamente importações e produção: em 2024, a UE importou um terço a mais, superando 100 milhões de euros. Apesar de resistente a climas secos, a cultura exige irrigação extra, consumindo mais de 10 mil litros de água por quilo e agravando a escassez hídrica em regiões áridas; invernos mais quentes também prejudicam a floração.
Produtos como chá matcha e quinoa sofreram efeitos semelhantes: o matcha, cultivado no Japão, encareceu e dificultou o acesso local, enquanto a quinoa andina teve preços elevados e impactos ambientais pela exploração inadequada do solo.
Impactos no ambiente
Especialistas em sustentabilidade e comércio justo alertam que depender de monoculturas para atender a tendências globais pode gerar riscos econômicos e ambientais. A recomendação é diversificar a produção, equilibrando o fornecimento para mercados locais e internacionais.
Além disso, produtores e divulgadores de alimentos de alto valor devem avaliar os impactos completos de sua popularidade, adotando práticas que preservem recursos naturais e garantam o bem-estar das comunidades envolvidas.
O caso do chocolate de Dubai e de outros produtos em alta demonstra que o consumo impulsionado por redes sociais e marketing pode gerar sucesso comercial, mas também pressiona a produção agrícola, compromete recursos naturais e afeta populações locais, destacando a necessidade de conciliar demanda, sustentabilidade e responsabilidade ética no comércio alimentar global.






