O Brasil conta com mais de 500 aeroportos públicos, porém somente 137 tiveram voos comerciais em julho. O número é menor que os 155 registrados no mesmo mês de 2024 e os 162 em 2023, o que representa uma retração superior a 15% em dois anos. Embora o período tenha marcado recorde de 11,6 milhões de passageiros transportados, a malha aérea nacional continua limitada em termos de cobertura.
A diminuição de aeroportos atendidos por voos regulares está ligada a decisões estratégicas das companhias aéreas, que levam em conta fatores como demanda, sazonalidade e custo-benefício das rotas. Em março de 2025, por exemplo, 154 aeroportos receberam voos, contra 163 no mesmo mês do ano anterior, evidenciando a tendência de concentração em rotas consideradas mais viáveis.
Menos voos
A retração do setor aéreo brasileiro é resultado de uma combinação de fatores: altos custos operacionais, dificuldades na reposição de aeronaves e peças, além das adaptações exigidas durante processos de reestruturação financeira.
Em recuperação judicial, a Azul suspendeu voos em 14 aeroportos, reduziu destinos de 160 para 137 e busca equilibrar custos e dívidas. Outras empresas do setor também enfrentam desafios semelhantes, principalmente em relação a custos atrelados ao câmbio, ao preço elevado do combustível e à carga tributária. Esses fatores pressionam as tarifas e limitam a possibilidade de ampliar a aviação regional no país.
Impacto nas cidades e medidas
A diminuição de voos tem impacto mais acentuado em cidades do interior, como Campos dos Goytacazes, que perderam ligações diretas e enfrentam prejuízos no turismo, nos negócios e na realização de eventos. A população e o setor produtivo relatam maior dificuldade de deslocamento, com reflexos negativos para a economia local e para o acesso a novas oportunidades.
Diante desse cenário, o governo estuda medidas para estimular a aviação regional, incluindo o leilão de 19 aeroportos de pequeno porte, a oferta de linhas de crédito específicas e a aplicação de alíquotas diferenciadas. Também estão em discussão a redução do custo do QAV, do IOF e do IRRF sobre operações de leasing de aeronaves. O objetivo é modernizar a infraestrutura, reduzir os custos operacionais e ampliar a conectividade aérea, favorecendo a inclusão de passageiros e o fortalecimento da malha nacional.





