Todo mundo conhece alguém, ou é esse alguém, que parece ser um verdadeiro imã de mosquitos. Enquanto alguns saem de uma noite de verão ilesos, outros acumulam dezenas de picadas em questão de minutos.
Para resolver esse enigma, uma equipe de pesquisadores construiu, na Zâmbia, um laboratório a céu aberto com dimensões pouco convencionais: uma arena de 20 metros quadrados equipada com câmeras infravermelhas e dutos que transportavam o odor humano para dentro do ambiente.
Seis voluntários dormiram em tendas nas proximidades, enquanto seus cheiros, e o dióxido de carbono que exalavam, eram canalizados para almofadas aquecidas dentro da arena. O objetivo era reproduzir com precisão a presença humana e observar como os mosquitos reagiriam.
O que realmente atrai os mosquitos?
A resposta surpreendeu até mesmo os cientistas mais experientes. Embora o dióxido de carbono seja um importante gatilho, ele funciona como um alarme que diz ao mosquito que há um humano por perto, não é esse gás que define quem será o alvo. O fator decisivo está na composição química do odor corporal.
A análise do ar revelou que as pessoas mais visadas pelos mosquitos apresentavam níveis significativamente mais altos de ácidos carboxílicos na pele.
Essas substâncias são produzidas não apenas pelo próprio corpo, mas também por bactérias que vivem na superfície da pele e ajudam a gerar odores característicos. Para os mosquitos, esses ácidos funcionam como um “sinal verde” para atacar. Eles são, em resumo, o equivalente a um convite perfumado para jantar.
Eucaliptol
Por outro lado, o estudo também revelou algo curioso: pessoas com maiores concentrações de eucaliptol no corpo eram muito menos atraentes para os insetos.
Esse composto, comum em alimentos naturais e plantas aromáticas, parece agir como uma espécie de máscara olfativa, embaralhando os sensores do mosquito e tornando o hospedeiro praticamente invisível ao seu radar.
Além do faro aguçado, os mosquitos utilizam outros mecanismos para caçar. São criaturas noturnas que agem principalmente por volta da meia-noite, combinando visão, detecção de calor e um olfato incrivelmente desenvolvido para localizar vítimas a até 60 metros de distância.
No fim das contas, o que define quem será picado não é o tipo sanguíneo ou a cor da roupa, e sim, o cheiro. Ou melhor, os compostos químicos liberados pela pele e pela respiração.





