A descoberta de 45 toxinas inéditas produzidas por bactérias do gênero Salmonella abriu novas perspectivas para a pesquisa de antibióticos e para aplicações biotecnológicas.
O achado foi feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo e divulgado em estudo publicado na revista científica PLOS Biology.
A investigação foi desenvolvida no Centro de Pesquisa em Biologia de Bactérias e Bacteriófagos (CEPID B3), com participação de instituições internacionais como a University of Texas at Austin, os National Institutes of Health e a University of Liverpool.
Toxinas da Salmonella para antibióticos
Descobertas do estudo
- A pesquisa identificou 128 tipos de toxinas bacterianas produzidas por Salmonella.
- Entre elas, 45 eram inéditas ou muito diferentes das já conhecidas pela ciência.
- Parte dessas moléculas atua sobre lipídios e membranas celulares, interferindo em funções essenciais de outras células.
- Os compostos despertaram interesse pelo potencial farmacêutico e biotecnológico.
Como a pesquisa foi feita
- Os cientistas analisaram geneticamente 6.165 amostras de 149 sorovares de Salmonella enterica.
- O estudo utilizou ferramentas avançadas de bioinformática para identificar possíveis toxinas.
- A investigação focou no Sistema de Secreção do Tipo VI (T6SS), mecanismo usado pelas bactérias para lançar toxinas contra microrganismos rivais.
- O sistema foi descrito como uma espécie de “lança molecular”.
Função das toxinas
- As toxinas atuam como armas microscópicas na disputa por espaço e recursos.
- Algumas combatem bactérias concorrentes, enquanto outras podem afetar fungos, algas, leveduras e células de mamíferos.
Diversidade e evolução
- O estudo mostrou que diferentes grupos de Salmonella possuem combinações próprias de toxinas, influenciadas pelo ambiente e pela seleção natural.
- Linhagens encontradas em ambientes naturais apresentaram maior diversidade de toxinas do que aquelas isoladas de pacientes humanos.
- Segundo os pesquisadores, essa variedade resulta de uma “corrida armamentista” evolutiva entre bactérias, impulsionada pela recombinação genética.
Embora algumas moléculas possam ter relação com infecções humanas, os autores destacam que essa hipótese ainda depende de testes experimentais específicos.
A equipe pretende ampliar as análises para outras bactérias e arqueias pouco estudadas, utilizando softwares e sistemas automatizados para acelerar a identificação de novas toxinas desconhecidas pela ciência.





