Um deputado bolsonarista que costuma se apresentar como herdeiro da antiga família imperial brasileira, apesar de o país viver em regime republicano há muitas décadas, reacendeu a defesa pela divisão do território nacional.
A manifestação surgiu logo após o Supremo Tribunal Federal (STF) concluir o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado e ordenar o início do cumprimento de uma pena superior a 27 anos na superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Em meio às reações da base bolsonarista, o parlamentar afirmou que apoiadores do ex-presidente estariam cansados de se sentir pouco representados em Brasília e, diante desse sentimento, voltou a sugerir que o Brasil fosse separado.
A fala reviveu argumentos carregados de hostilidade a determinadas regiões do país, algo que se tornou frequente no discurso xenofóbico de grupos de extrema-direita.
Deputado da “família imperial” propõe dividir o Brasil
Segundo o que escreveu o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) em uma rede social em 25 de novembro, os estados do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste sustentariam a maior parte da arrecadação federal e, mesmo assim, não teriam voz suficiente no Congresso.
Ele afirmou que essas regiões seriam responsáveis por quase toda a riqueza nacional enquanto, nas palavras dele, outras áreas do país ditariam o ritmo da política e ocupariam os principais postos de poder.
A crítica foi embalada pela ideia de que a população economicamente ativa dessas regiões estaria sendo ignorada, o que, segundo ele, justificaria um debate sobre independência.
O argumento do deputado, no entanto, não trouxe dados completos nem considerou o funcionamento do pacto federativo, que prevê mecanismos de equilíbrio entre regiões com diferentes níveis de desenvolvimento.
Também ignorou o papel histórico do Norte e do Nordeste no crescimento do país, além da evolução recente de suas economias.
Proposta do deputado para dividir o Brasil não é nova
Embora a declaração tenha ganho repercussão agora em 2025, a proposta não é inédita.
O separatismo aparece periodicamente no debate público brasileiro e costuma vir acompanhado de discursos que tentam estabelecer hierarquias entre regiões e populações. Nesse contexto, a presença da xenofobia é evidente.
A xenofobia é o sentimento de rejeição ou hostilidade dirigido a pessoas ou grupos considerados externos, seja por origem geográfica, cultural ou nacional.
No Brasil, essa forma de preconceito também se manifesta internamente, quando regiões inteiras são retratadas falsamente como menos capazes ou menos legítimas, situação que acontece com as regiões Norte e Nordeste, frequentemente hostilizadas por integrantes de outras regiões do país.
É exatamente essa lógica que sustenta o discurso do deputado. Ao afirmar que determinados estados seriam responsáveis pelas decisões políticas enquanto outros apenas consumiriam recursos, ele reforça estereótipos antigos e falsos sobre o Norte e o Nordeste.
Xenofobia cria a falsa ideia de que alguns brasileiros valem mais do que outros, e se agrava nas redes sociais
Esse tipo de retórica é prejudicial porque alimenta a divisão social, ignora a diversidade cultural que compõe o país e fortalece a ideia de que alguns brasileiros têm mais valor que outros.
Além disso, contraria dados que mostram avanços econômicos e sociais em todas as regiões e que demonstram que a cooperação federativa é essencial para a redução de desigualdades.
O crescimento das denúncias de xenofobia no Brasil, registrado por órgãos oficiais nos últimos anos, indica que esse problema vem se agravando, especialmente no ambiente digital.
Especialistas alertam que a propagação desse discurso estimula hostilidade, enfraquece a convivência democrática e abre espaço para ataques a direitos básicos.
As declarações do deputado, portanto, não apenas retomam argumentos sem base sólida como também reforçam preconceitos que precisam ser enfrentados com informação, políticas públicas e responsabilidade social.
A defesa pela unidade nacional passa pela valorização de todas as regiões e pela recusa desse tipo de narrativa excludente e xenofóbica.





