A decisão de Alexandre de Moraes, que anulou a votação da Câmara e determinou a perda imediata do mandato de Carla Zambelli, virou o tabuleiro em Brasília. Em poucas horas, o que parecia uma vitória da deputada ao escapar da cassação virou uma reviravolta jurídica.
Agora, a Câmara tem prazo de 48 horas para dar posse ao suplente Adilson Barroso, que retorna ao centro das atenções após anos transitando entre cargos, cidades e partidos.
O movimento do STF não só retira Zambelli de cena, como reposiciona a bancada do PL e reacende debates sobre os limites da Câmara diante de decisões judiciais.
O impacto da decisão do Supremo
A Primeira Turma do Supremo avalia a determinação de Moraes, que afirma que a Câmara não tinha competência para rever a perda de mandato imposta por condenação criminal.
A votação que preservou o mandato da deputada, não alcançou o quórum para cassação. Mesmo assim, segundo Moraes, tratou-se de um ato que violou a Constituição.
Zambelli já havia sido condenada em duas ações penais, incluindo a invasão aos sistemas do CNJ e a perseguição armada registrada durante as eleições de 2022. Enquanto cumpre prisão na Itália, aguarda uma decisão de extradição que ainda não saiu, deixando um vazio político que o STF pretende preencher imediatamente.
Quem é Adilson Barroso, o suplente que assume a vaga
Adilson Barroso, nascido em Minas Gerais e filiado ao PL de São Paulo, é um nome que ressurge com força no momento em que a Câmara enfrenta uma de suas tensões mais delicadas do ano.
Com mais de 62 mil votos no último pleito, ele se tornou o primeiro suplente do partido e já havia atuado como deputado federal durante a licença de Guilherme Derrite, que assumiu a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Nas redes sociais, Barroso se apresenta como bolsonarista, conservador, patriota e próximo de nomes centrais da direita, como Jair Bolsonaro e Nikolas Ferreira, uma afinidade que facilita a transição com o eleitorado que antes acompanhava Zambelli.
Uma trajetória marcada por ascensão, recuos e disputas internas
A carreira política de Barroso é extensa e repleta de mudanças. Ele começou como vereador em Barrinha, ainda nos anos 1980, foi reeleito, tornou-se vice-prefeito e depois deputado estadual pelo Prona, cargo que ocupou por quase uma década.
Com o tempo, migrou novamente para a política municipal antes de ganhar projeção nacional como um dos fundadores do Partido Ecológico Nacional, o PEN, que mais tarde se tornaria o Patriota.
Foi justamente nesse partido que viveu um de seus momentos mais turbulentos: acabou afastado da presidência da legenda após negociar, sem consulta interna, a possível filiação de Jair Bolsonaro, o que gerou um racha e abriu caminho para ele sair do partido e migrar para o PL.
O que esperar do novo mandato
Com a saída definitiva de Zambelli, Adilson Barroso deve assumir uma posição de alinhamento total com a ala bolsonarista e com as pautas conservadoras do PL. Seu histórico indica que tende a manter o mesmo estilo confrontativo e ideológico, ocupando rapidamente o espaço deixado pela deputada.
Em um momento em que Brasília vive tensão institucional e embates entre Poderes, a chegada de Barroso promete fortalecer a coesão interna do PL, ao mesmo tempo em que reacende discussões sobre a relação entre condenações penais, decisões judiciais e mandatos parlamentares.





