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Cobrança de R$ 2,5 mil para religar energia prende funcionário da Enel

Por Leticia Florenço
12/12/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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O que era para ser apenas mais um dia difícil diante do apagão que atingiu a Região Metropolitana de São Paulo transformou-se em um episódio de corrupção explícita.

Um funcionário terceirizado da Enel foi preso após cobrar R$ 2,5 mil para religar a energia de um estabelecimento na Vila Mariana. O caso, ocorrido na quinta-feira (11/12), escancarou a fragilidade e a tensão entre consumidores e prestadores de serviço em meio ao caos de abastecimento.

Como a tentativa de propina foi descoberta

O alvo da cobrança indevida foi o restaurante Rancho da Empada, que estava sem luz desde o início da tarde do dia anterior. Sem condições de operar, enfrentando prejuízos e insegurança, o proprietário recebeu a abordagem do funcionário, identificado como Alex Rodrigues Nogueira.

Ao perceber que se tratava de uma exigência ilegal, o empresário simulou aceitar a proposta e acionou o subprefeito de Vila Mariana, Rafael Minatogawa. A partir desse momento, a conversa passou a ser registrada.

O vídeo que expôs a irregularidade

Minatogawa publicou nas redes sociais o vídeo do encontro em que questiona o funcionário sobre “como acertar” a religação. Sem perceber que estava sendo gravado e denunciado, o suspeito confirmou que havia cobrado R$ 2,5 mil para religar o conector na Rua Sena Madureira.

A gravação circulou rapidamente e gerou forte repercussão, principalmente pelo momento crítico vivido na capital paulista, onde centenas de milhares de imóveis estavam sem energia.

Prisão em flagrante e atuação da polícia

Logo após a gravação, agentes do 16º Distrito Policial, no bairro Vila Clementino, foram acionados. A prisão aconteceu na Praça Manuel Vaz de Toledo, onde Alex Nogueira foi detido por corrupção passiva.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o flagrante foi devidamente registrado, reforçando que a cobrança para restabelecimento de energia é crime e não tem qualquer respaldo contratual ou institucional.

O episódio ocorre em meio a uma crise sem precedentes. Quase 48 horas após a passagem de um ciclone extratropical no Sul do país, mais de 800 mil imóveis permaneciam sem energia na manhã de sexta-feira (12/12).

A população tenta lidar com prejuízos, insegurança e um sentimento generalizado de abandono, enquanto a distribuidora afirma estar trabalhando na recomposição total da rede.

Enel rebate e afirma que não há cobrança por emergências

Em nota oficial, a Enel São Paulo repudiou a conduta do funcionário preso e reforçou que nenhuma taxa individual pode ser cobrada para reparos na rede ou religação em situações emergenciais.

A empresa destacou que qualquer exigência de pagamento desse tipo é proibida e orientou consumidores a denunciarem imediatamente abordagens suspeitas aos canais da companhia.

O caso ganhou ainda mais destaque devido à atuação do subprefeito e ao ambiente de indignação generalizada contra a distribuidora.

A paralisação de serviços, a demora na recomposição de energia e as investigações sobre falhas estruturais alimentam pedidos de intervenção federal, como recentemente defendido por autoridades estaduais.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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