Todos os anos, o Brasil e o restante do mundo descartam milhões de toneladas de embalagens de alumínio. Boa parte desse volume é formada por latinhas de bebidas consumidas em casas, bares, festas e grandes eventos.
Embora muitas acabem em lixões ou aterros, uma parcela significativa entra em um circuito paralelo de reaproveitamento que sustenta milhares de pessoas.
É nesse cenário que surge uma pergunta comum: afinal, é possível ganhar ao menos um salário mínimo apenas coletando latinhas?
Como ganhar um salário mínimo coletando latinhas
O alumínio é um dos materiais mais valiosos da reciclagem. Diferentemente de outros resíduos, ele pode ser reaproveitado indefinidamente sem perder qualidade. Isso explica por que o Brasil se destaca entre os países com maiores taxas de reciclagem de latinhas.
Por trás desses números, no entanto, estão catadores autônomos, cooperativas e trabalhadores informais que percorrem ruas, feiras e eventos em busca do material descartado.
Ao contrário do que muitos imaginam, latinhas não são vendidas por unidade, mas por peso. O alumínio é comercializado em quilos, e o valor pago varia conforme a região, a época do ano e o comprador.
Em média, cerca de 75 latinhas são necessárias para formar um quilo, embora esse número possa mudar conforme o tipo e o tamanho da embalagem.
O preço do quilo costuma oscilar entre R$ 4 e R$ 10 no mercado brasileiro, refletindo as condições locais e a demanda das indústrias recicladoras.
Para entender se a atividade pode garantir um salário mínimo, é preciso fazer uma conta simples.
Considerando o piso nacional de R$ 1.621 em 2026 e um valor médio de R$ 9 por quilo de alumínio, seria necessário reunir aproximadamente 180 quilos de latinhas ao longo do mês.
Convertendo esse peso em unidades, o total chega perto de 13.500 latinhas. Trata-se de um volume expressivo, que exige coleta diária, transporte, armazenamento e negociação constante com compradores.
Trabalhadores que coletam latinhas movimentam mercado importante
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Mesmo com essas dificuldades, a coleta de latinhas segue sendo uma alternativa real de renda para muitas famílias, especialmente em centros urbanos e períodos de grande circulação de pessoas.
Além do impacto econômico direto, esse trabalho reduz a quantidade de resíduos enviados aos aterros e economiza energia e recursos naturais no processo industrial.
Apesar de sua relevância ambiental e social, os catadores ainda enfrentam baixa valorização e condições precárias.
Reconhecer a importância desse mercado e desses profissionais é essencial para fortalecer a economia circular e garantir mais dignidade a quem transforma lixo em sustento.






