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Comer carne ultraprocessada pode aumentar riscos à saúde

Por Leticia Florenço
11/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Carne ultraprocessada - Reprodução/iStock

Carne ultraprocessada - Reprodução/iStock

Manter uma alimentação equilibrada é fundamental para promover saúde, fortalecer o sistema imunológico e prevenir o desenvolvimento de doenças crônicas. No entanto, a crescente presença de carnes ultraprocessadas na dieta moderna tem levantado preocupações entre especialistas, dado seu impacto negativo à saúde.

Carnes ultraprocessadas são produtos alimentícios altamente industrializados que passam por processos como cura, defumação, adição de conservantes químicos (nitritos, nitratos), corantes e realçadores de sabor. Entre os exemplos mais comuns estão o presunto, salsicha, mortadela, salaminho, bacon e outros embutidos.

Esses alimentos, embora convenientes e saborosos, têm seu valor nutricional comprometido, sendo pobres em fibras, vitaminas e minerais, e ricos em sódio, gorduras saturadas e aditivos químicos.

Classificação dos alimentos segundo a USP

Para entender melhor os riscos dos ultraprocessados, vale conhecer a classificação proposta pela Universidade de São Paulo (USP):

  • Grupo 1: Alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, carnes frescas, ovos, leite, arroz.
  • Grupo 2: Ingredientes culinários processados, sal, açúcar, óleos vegetais.
  • Grupo 3: Alimentos processados, pães simples, queijos, conservas.
  • Grupo 4: Alimentos ultraprocessados, produtos industrializados com muitos aditivos artificiais, como embutidos, refrigerantes, biscoitos recheados e macarrão instantâneo.

Evidências científicas sobre os riscos das carnes ultraprocessadas

Um estudo abrangente conduzido pela Universidade de Washington (EUA), que revisou 78 pesquisas anteriores, trouxe conclusões que o consumo diário, mesmo em porções pequenas, de carnes ultraprocessadas eleva significativamente o risco de doenças crônicas graves.

  • Diabetes tipo 2: Uma porção diária (de 0,6g a 57g) aumenta o risco em ao menos 11%.
  • Câncer de intestino: A ingestão diária (de 0,78g a 55g) eleva o risco em 7% ou mais.

Esses números, embora pareçam modestos, indicam que não existe uma quantidade “segura” de consumo dessas carnes em relação ao desenvolvimento dessas doenças. O aumento do consumo está diretamente associado a um crescimento uniforme dos riscos.

Dano à saúde

Os processos industriais usados na fabricação das carnes ultraprocessadas liberam compostos potencialmente nocivos:

  • Nitritos e nitratos: Utilizados para conservação, podem gerar substâncias cancerígenas.
  • Processos de cura e defumação: Podem formar aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, relacionados ao câncer.
  • Excesso de sódio: Contribui para hipertensão e problemas cardiovasculares.
  • Gorduras saturadas e trans: Elevam o colesterol ruim e inflamam vasos sanguíneos.

Além disso, o consumo frequente desses produtos pode causar alterações metabólicas que favorecem a obesidade, resistência à insulina e inflamações crônicas.

Impactos do consumo de outros ultraprocessados

Não apenas as carnes, mas outros alimentos ultraprocessados também apresentam riscos:

  • Bebidas açucaradas: Uma porção diária (cerca de uma lata de refrigerante) está associada a um aumento de 8% no risco de diabetes e 2% em doenças cardíacas.
  • Snacks e doces industrializados: Ricos em açúcares e gorduras ruins, podem piorar o quadro metabólico e aumentar a obesidade.

Como reduzir o consumo de carnes ultraprocessadas?

  • Priorizar carnes frescas e preparações caseiras.
  • Ler atentamente os rótulos, evitando produtos com muitos aditivos químicos.
  • Investir em fontes de proteínas naturais como ovos, leguminosas, peixes e carnes magras.
  • Buscar orientação nutricional para criar uma rotina alimentar mais saudável e sustentável.

A alimentação é uma das principais ferramentas para manutenção da saúde. O alerta dos pesquisadores reforça que o consumo diário de carnes ultraprocessadas, mesmo em pequenas quantidades, não é isento de riscos e pode contribuir para o aumento de doenças graves como diabetes e câncer.

O caminho para uma vida mais saudável passa pelo resgate de hábitos alimentares simples e menos industrializados.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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