Na tarde de terça-feira (28), a Operação Contenção, deflagrada pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, provocou uma onda de confrontos e bloqueios em diversas regiões da capital. Inicialmente concentrada entre os complexos da Penha e do Alemão, a ação se estendeu para outros bairros, afetando o comércio, o transporte público e a rotina da população.
A operação, que contou com o empenho de aproximadamente 2,5 mil agentes, foi planejada para cumprir mandados de prisão e frear a expansão do Comando Vermelho, considerado o principal grupo criminoso do estado. Segundo o Mapa dos Grupos Armados, produzido pelo Instituto Fogo Cruzado em parceria com o GENI/UFF, a facção continua a ampliar seu domínio no Rio de Janeiro, reforçando o controle sobre grande parte da Região Metropolitana.
Surgimento do Comando Vermelho
O Comando Vermelho surgiu na década de 1970, no Instituto Penal Cândido Mendes, em Ilha Grande, a partir da convivência entre presos comuns e políticos, inicialmente sob o nome de Falange Vermelha. Criado para promover organização interna e defender direitos no sistema prisional, o grupo evoluiu para o crime organizado, com foco em tráfico de drogas e assaltos a bancos.
Após a anistia de 1979, passou a atuar de forma independente, ampliando sua influência com o fortalecimento das rotas internacionais de cocaína nos anos 1980. Na década seguinte, a tentativa do governo de dispersar suas lideranças em diferentes presídios acabou impulsionando sua expansão e consolidando sua presença em todo o estado.
Funcionamento atual
Atualmente, o Comando Vermelho atua em diversos estados, mantendo alianças com outras facções e ampliando sua presença em áreas de fronteira, sobretudo na Amazônia. Embora o tráfico de drogas permaneça como principal fonte de lucro, o grupo também explora mercados ilegais de ouro, combustíveis e tabaco, que movimentam bilhões de reais anualmente.
O crime organizado tem se modernizado com o uso de impressoras 3D para fabricar armas e drones em confrontos, impulsionado pela flexibilização das políticas de armamento. Apesar das grandes operações policiais, o Estado tem obtido poucos resultados concretos na retomada de territórios, perpetuando ciclos de violência e insegurança.





