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Cientistas removem cromossomo extra da Síndrome de Down em laboratório

Por Leticia Florenço
24/06/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Cromossomo - Reprodução/iStock

Cromossomo - Reprodução/iStock

A comunidade científica mundial foi agitada recentemente por um feito inovador: pesquisadores japoneses conseguiram remover o cromossomo extra que caracteriza a Síndrome de Down, usando tecnologia genética avançada.

A descoberta não deve ser entendida como uma “cura” para a condição, mas sim como um importante passo para aumentar a qualidade e longevidade de vida das pessoas com Down, minimizando os impactos biológicos associados à síndrome.

A Síndrome de Down e o cromossomo extra

A Síndrome de Down ocorre devido à presença de uma cópia extra do cromossomo 21, condição chamada de trissomia 21.

Essa duplicação genética provoca uma série de alterações no corpo, afetando funções orgânicas, cognitivas e neurológicas, além de aumentar o risco de doenças como Alzheimer precoce e problemas cardíacos.

Em todo o mundo, milhões vivem com essa condição, que no Brasil atinge cerca de 300 mil pessoas, segundo dados do IBGE.

A técnica revolucionária

O avanço foi possível graças à técnica de edição genética conhecida como CRISPR-Cas9, que funciona como uma “tesoura molecular” capaz de cortar trechos específicos do DNA.

No estudo realizado por cientistas japoneses, essa técnica foi aprimorada para identificar e remover especificamente o cromossomo extra da trissomia 21 em células cultivadas em laboratório, incluindo fibroblastos retirados da pele de pessoas com a síndrome.

A grande inovação foi a capacidade de realizar a remoção mantendo intacta a estrutura e funcionamento do restante do DNA, sem causar danos às células saudáveis.

Impactos da remoção do cromossomo extra

A remoção da trissomia 21 em laboratório provocou uma redução significativa no envelhecimento biológico das células, o que pode trazer benefícios a longo prazo para a saúde das pessoas com Síndrome de Down.

Um dos problemas decorrentes da trissomia é a hiperatividade metabólica e o aumento da produção de espécies reativas de oxigênio, que aceleram o desgaste celular e a inflamação, marcadores naturais do envelhecimento e de várias doenças crônicas.

Com essa edição genética, os pesquisadores observaram uma normalização desses processos metabólicos, indicando um caminho para minimizar as fragilidades do organismo.

Não é cura, mas qualidade de vida

Os próprios cientistas são cautelosos ao afirmar que ainda não falam em “cura” para a Síndrome de Down. O objetivo principal da pesquisa é aumentar a qualidade de vida e a longevidade das pessoas com a síndrome, que frequentemente enfrentam riscos elevados de demência e outras condições graves.

A técnica ainda está restrita a estudos em laboratório e precisa passar por inúmeros testes e aprimoramentos antes de qualquer aplicação clínica.

Desafios e próximos passos da pesquisa

Apesar do sucesso inicial, o método enfrenta desafios: algumas células, principalmente as que não se dividem, não respondem à edição genética, o que limita a eficácia do tratamento.

A equipe japonesa destaca a necessidade de mais estudos para entender como aplicar a técnica em organismos completos, garantindo segurança e efetividade.

Além disso, questões éticas relacionadas à manipulação genética devem ser cuidadosamente debatidas.

A comunidade científica, os familiares e a sociedade devem acompanhar esse avanço com esperança.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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