A guerra entre Irã e Israel, que já dura mais de dez dias, ganhou um novo e perigoso capítulo no último sábado (21), quando os Estados Unidos decidiram entrar oficialmente na disputa, lançando ataques contra instalações nucleares iranianas.
Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, cresce a tensão sobre o futuro do fornecimento global de petróleo.
No centro dessa crise está o Estreito de Ormuz, uma estreita faixa de mar que, embora seja considerado uma rota internacional, corre sério risco de ser bloqueado pela república islâmica — um movimento que poderia impactar diretamente 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
20% do petróleo do mundo podem ser bloqueados no Irã
O Parlamento iraniano aprovou no domingo (22) uma proposta autorizando o fechamento do Estreito de Ormuz como forma de retaliação aos ataques americanos.
A decisão, no entanto, ainda não foi efetivada, pois depende da aprovação do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
Caso se concretize, a medida deve provocar uma disparada nos preços do petróleo em todo o planeta, já que aproximadamente um quinto da produção global atravessa diariamente esse corredor marítimo.
Localizado entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã, o Estreito de Ormuz é estratégico para o escoamento de petróleo de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e do próprio Irã.
Apesar da importância para a economia global, o controle desse trecho não pertence exclusivamente ao país islâmico xiita. Trata-se de uma via marítima internacional, regida por convenções que garantem a livre navegação.
Contudo, em cenários de guerra, essas normas frequentemente são ignoradas — como se viu recentemente, no início de junho, quando Israel interceptou uma embarcação com ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza, mesmo estando em águas internacionais.
Apesar da votação no Parlamento, analistas avaliam que o fechamento efetivo do estreito é improvável no curto prazo. Isso porque a medida poderia gerar sérias consequências diplomáticas e econômicas, especialmente com a China, principal parceiro comercial do Irã e grande importadora de petróleo da região.
Além disso, um bloqueio poderia justificar uma resposta militar imediata dos Estados Unidos e de aliados do Golfo, o que agravaria ainda mais a já delicada situação do aiatolá Ali Khamenei.
Cessar-fogo entre Israel e Irã falhou
O risco de bloqueio ocorre em paralelo a uma tentativa frustrada de cessar-fogo. Na noite de segunda-feira (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um acordo de trégua, mediado com apoio do Catar.
O compromisso, no entanto, não resistiu por muitas horas. Na madrugada desta terça-feira (24), Israel voltou a bombardear alvos em território iraniano, violando o acordo antes mesmo de sua plena vigência.
A reação de Trump foi dura. Em declarações à imprensa, o presidente americano afirmou estar profundamente insatisfeito com a postura de Israel, exigindo que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu suspenda imediatamente os ataques.
Trump também alertou que novos bombardeios contra Teerã seriam considerados uma “grave violação” dos termos acordados.
Diante desse cenário volátil, o risco de que o país islâmico leve adiante o bloqueio do Estreito de Ormuz permanece como uma ameaça real à estabilidade econômica global e à segurança energética mundial.






