Pesquisadores identificaram um novo indicativo da doença de Alzheimer que pode ajudar no diagnóstico precoce: a dificuldade em alcançar rapidamente a fase REM do sono.
A descoberta lança luz sobre uma conexão cada vez mais evidente entre o funcionamento do cérebro durante o sono e o avanço da neurodegeneração, ampliando a compreensão sobre os primeiros sinais da enfermidade.
Cientistas descobriram um novo sintoma da doença de Alzheimer
A pesquisa, publicada na revista científica Alzheimer’s & Dementia, analisou o comportamento de sono de mais de uma centena de indivíduos, incluindo pacientes com Alzheimer, pessoas com comprometimento cognitivo leve e indivíduos saudáveis.
O foco dos cientistas estava na latência para atingir o sono REM — a fase caracterizada por intensa atividade cerebral, sonhos vívidos e movimentos rápidos dos olhos. Esse estágio do sono tem papel fundamental na consolidação da memória e na regulação das funções cognitivas.
Os resultados revelaram que indivíduos que levavam mais tempo para entrar no sono REM apresentavam níveis elevados de biomarcadores associados à doença de Alzheimer, como o acúmulo de proteínas beta-amiloide e tau no cérebro.
A demora para atingir essa fase pode, portanto, ser um sinal precoce de alterações cerebrais ligadas à demência, mesmo antes que a perda de memória se torne evidente.
Segundo especialistas, essa descoberta é relevante porque pode abrir caminhos para intervenções mais rápidas e eficazes.
A relação entre qualidade do sono e saúde cerebral já era conhecida, mas este estudo reforça a importância de monitorar padrões específicos de sono como ferramenta de detecção precoce.
Boas práticas podem prevenir o Alzheimer
Embora a ciência ainda investigue se a privação de sono é uma causa direta ou uma consequência da doença, há indícios consistentes de que hábitos de sono ruins podem acelerar o processo degenerativo.
Assim, investir em boas práticas de sono surge como uma medida preventiva promissora. Dormir em horários regulares, reduzir o consumo de cafeína e álcool, praticar atividades físicas e evitar a exposição à luz azul à noite são ações simples que favorecem o sono reparador.
Com o envelhecimento da população global e o aumento dos casos de demência, entender os primeiros sinais do Alzheimer torna-se cada vez mais urgente.
A associação entre o sono REM e os marcadores da doença é um avanço importante na direção de diagnósticos mais precoces e, possivelmente, tratamentos mais eficazes.






