A cultura organotípica de pele humana, conhecida pelo modelo hOSEC (Human Organotypic Skin Explant Culture), tem se consolidado como uma das principais alternativas ao uso de animais em pesquisas biomédicas.
A técnica consiste na utilização de fragmentos de pele humana, geralmente provenientes de cirurgias plásticas, que seriam descartados, mas são preservados em ambiente laboratorial controlado.
Nessas condições, o tecido mantém sua estrutura e funcionalidade por períodos prolongados, permitindo a realização de estudos sobre doenças, testes de cosméticos, processos de cicatrização e aplicações farmacológicas sem a necessidade de experimentação animal.
Fim dos testes em animais
Dentro desse cenário, um grupo de alunos e pesquisadores da Medicina da Unifipa/Fameca publicou um artigo na revista Alternatives to Laboratory Animals, publicação internacional de referência na área de métodos substitutivos ao uso de animais.
O estudo, classificado como revisão de escopo, analisou 16 pesquisas brasileiras desenvolvidas entre 2007 e 2024 e produziu o primeiro mapeamento sistemático da produção científica nacional sobre o tema.
Aplicações identificadas no estudo:
- Doenças dermatológicas, como melanoma e psoríase
- Estudos sobre envelhecimento cutâneo
- Testes de cosméticos e fármacos
- Pesquisas sobre cicatrização
- Otimização de culturas celulares
- Concentração das pesquisas na região Sudeste
- Predominância de amostras oriundas de cirurgias plásticas
Limitações do campo científico:
- Falta de padronização de protocolos entre laboratórios
- Heterogeneidade metodológica entre os estudos
- Dificuldade de reprodução dos resultados
- Necessidade de diretrizes mais estruturadas para a área
Perspectivas e avanços esperados:
- Consolidação de padrões metodológicos
- Aumento da confiabilidade das pesquisas
- Expansão para novas aplicações, como tratamento de queimaduras e medicina personalizada
Regulação e panorama
Do ponto de vista regulatório e ético, a abordagem segue a tendência global de redução do uso de animais em experimentos, impulsionada no Brasil pela Lei nº 14.198/2021, que restringe testes cosméticos em animais quando há alternativas disponíveis.
O estudo também organiza o panorama nacional dessa linha de pesquisa, ao sistematizar dados dispersos e indicar perspectivas de avanço científico em um campo já consolidado internacionalmente, com aplicações em toxicologia, dermatologia e desenvolvimento de medicamentos.





