Alexander de Jesus Carlos, mais conhecido como “Choque”, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho (CV) na favela de Manguinhos, Zona Norte do Rio, está prestes a ser submetido a uma cirurgia para retirada de pedras na vesícula.
O procedimento, motivado por dores constantes que o incomodam há meses, seria um evento médico rotineiro, se não fosse o local escolhido: o Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio, um dos centros médicos mais caros e exclusivos da cidade.
Chefe do Comando Vermelho paga cirurgia de luxo no Rio
O caso provocou controvérsia por envolver um preso classificado como de altíssima periculosidade, que já foi considerado o criminoso mais procurado do estado. Choque está atrás das grades desde 2008, quando foi capturado na Paraíba.
Na época, ele comandava o tráfico em Manguinhos e era investigado por execuções e torturas, inclusive tendo sido flagrado em interceptações telefônicas ordenando assassinatos.
Sua ficha criminal também inclui participação em assaltos e envolvimento com quadrilhas armadas para roubo de veículos. A reputação de crueldade atribuída a ele o tornou figura central nas operações policiais contra o tráfico carioca.
Nos últimos meses, Choque tem relatado intensas dores abdominais e urinárias. Exames realizados em unidades públicas indicaram a presença de cálculos biliares, condição que pode causar crises agudas de dor e requer, em muitos casos, cirurgia.
Apesar de passar por atendimentos no sistema prisional e ser encaminhado diversas vezes a unidades de pronto atendimento, não houve solução definitiva para seu quadro de saúde.
Autorização para cirurgia em hospital de luxo foi dada por juíz
A autorização para realizar o procedimento no Hospital Samaritano foi concedida por um juiz da Vara de Execuções Penais, após fiscalização em que o próprio magistrado constatou o estado clínico do detento.
A defesa afirmou que a escolha pelo hospital de luxo partiu do juiz, que solicitou da defesa apenas a confirmação da data e do local.
Segundo especialistas em direito penal, a decisão não é ilegal. A Lei de Execução Penal permite que internos sejam tratados fora do sistema prisional quando este não dispõe dos recursos médicos necessários, o que teria sido o caso.
O hospital escolhido, entretanto, levanta questionamentos sobre desigualdade de acesso e uso da estrutura privada por presos, mesmo que às custas próprias, já que, neste caso, a cirurgia e todo o atendimento será pago pelo detento.





