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Cerveja está sumindo das prateleiras enquanto café e azeite estão de volta

Por Leticia Florenço
29/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Supermercado - Reprodução/iStock

Supermercado - Reprodução/iStock

Depois de meses de prateleiras vazias e incertezas na cadeia de suprimentos, os supermercados brasileiros começaram a respirar em setembro.

Segundo o Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a falta de produtos nas gôndolas, o percentual de itens indisponíveis caiu de 13,1% em agosto para 11,9%. Essa redução de 1,2 ponto percentual representa uma melhora significativa na recomposição dos estoques e no fluxo logístico de alimentos básicos.

O alívio veio especialmente em categorias essenciais como arroz, feijão, ovos, café e azeite, que voltaram a aparecer com mais frequência nas prateleiras.

Essa recomposição indica que a indústria e o varejo conseguiram, ao menos temporariamente, estabilizar a distribuição de produtos que compõem o coração da cesta do consumidor brasileiro.

A exceção que preocupa

Se por um lado os alimentos básicos voltaram, por outro, um item querido pelo brasileiro começou a desaparecer. A cerveja foi o único produto que registrou aumento na falta de estoque, passando de 12,1% para 12,8% de indisponibilidade.

Esse aumento, embora pareça pequeno, sinaliza uma pressão estrutural no setor de bebidas, agravada por três fatores principais: queda na produção, aumento de custos e mudança no comportamento do consumidor.

De acordo com dados do IBGE, a produção de bebidas alcoólicas caiu cerca de 11% em agosto, o que afetou diretamente o fornecimento às redes varejistas.

Além disso, a crise do metanol, substância tóxica encontrada em bebidas destiladas ilegais, provocou uma migração de consumidores para a cerveja, elevando a demanda de forma repentina e desordenada.

Preços em alta e margens comprimidas

Mesmo com a melhora na disponibilidade de produtos, o bolso do consumidor segue pressionado. A inflação e os custos de transporte e produção continuam impactando os preços, e o estudo mostra que, em quase todas as categorias, houve aumentos consideráveis.

No caso da cerveja, o preço médio subiu em todos os tipos:

  • Cerveja artesanal: De R$ 19,93 para R$ 21,63
  • Cerveja escura: De R$ 14,78 para R$ 15,84
  • Cerveja clara: De R$ 13,56 para R$ 14,68
  • Cerveja sem álcool: De R$ 15,51 para R$ 16,29

A tendência é que as cervejarias ainda enfrentem dificuldades até o final do ano, com estoques limitados e custos elevados de insumos, como cevada e alumínio, que encarecem a produção das latas e garrafas.

A volta dos produtos básicos

Enquanto a cerveja some, os alimentos essenciais voltam a ocupar espaço nas gôndolas. O movimento indica que as cadeias agrícolas e industriais desses itens estão conseguindo lidar melhor com os gargalos logísticos e com as variações de demanda. Os destaques do mês foram:

  • Ovos: De 23,0% para 20,4% de ruptura (queda de 2,6 p.p.)
  • Feijão: De 8,4% para 6,4% (−2,0 p.p.)
  • Arroz: De 8,9% para 7,1% (−1,8 p.p.)
  • Café: De 9,6% para 7,9% (−1,7 p.p.)
  • Azeite: De 9,7% para 8,7% (−1,0 p.p.)

Esses números mostram uma melhora consistente, embora os preços ainda estejam em trajetória ascendente.

Café e azeite

O café, um dos produtos mais simbólicos da mesa brasileira, apresentou queda na falta de estoque, mas continua sofrendo com a alta dos custos agrícolas e climáticos.

  • Café em pó: De R$ 80,52 para R$ 85,92
  • Café em grãos: De R$ 135,92 para R$ 140,37

Analistas preveem que o café ainda deve ter reajustes entre 10% e 15%, impulsionados pela valorização internacional do grão na Bolsa de Nova York e pela alta das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O azeite, por sua vez, voltou a aparecer nas prateleiras após meses de escassez causada pela quebra de safra de azeitonas na Europa, mas com preços que seguem em escalada:

  • Extravirgem: De R$ 90,60 para R$ 96,65
  • Virgem: De R$ 75,79 para R$ 78,11

Mesmo com a recomposição do estoque, o azeite continua sendo um produto de luxo em muitas mesas brasileiras, refletindo a crise global de produção.

Arroz, feijão e ovos

Esses três pilares da alimentação básica apresentaram melhor disponibilidade e aumento moderado nos preços, o que indica um equilíbrio entre oferta e demanda.

  • Arroz branco: De R$ 5,37 para R$ 5,63
  • Arroz parboilizado: De R$ 4,92 para R$ 5,19
  • Feijão carioca: De R$ 6,71 para R$ 6,92
  • Caixa com 12 ovos: De R$ 12,12 para R$ 12,22

Embora os valores sigam subindo, a estabilidade no abastecimento ajuda a evitar picos inflacionários nos alimentos essenciais.

Se a tendência de estabilização se mantiver, o final do ano pode trazer prateleiras mais cheias, especialmente para alimentos básicos. Porém, o setor de bebidas, especialmente a cerveja, deve continuar enfrentando turbulências até o início de 2026.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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