Pesquisas recentes vêm chamando atenção para o Canabigerol (CBG), um dos compostos presentes na planta Cannabis sativa, como uma alternativa promissora no tratamento da dor.
Ainda pouco conhecido fora dos círculos científicos, o CBG começa a ganhar espaço entre pesquisadores por demonstrar efeitos analgésicos significativos em estudos com animais, sem provocar alterações motoras ou psicoativas.
Canabigerol é apontado como forte opção para tratar dores
Nos laboratórios da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), cientistas realizaram experimentos com roedores submetidos a diferentes tipos de dor — aguda, inflamatória e neuropática.
Os animais receberam doses orais de Canabigerol e apresentaram respostas consistentes de redução da dor. No teste da “placa quente”, por exemplo, o tempo de reação ao estímulo térmico aumentou, sinalizando um efeito analgésico processado pelo sistema nervoso central.
Em outro modelo, que simula dor inflamatória com aplicação de formalina, o CBG reduziu a intensidade da resposta dolorosa tanto na fase inicial, ligada aos nervos sensoriais, quanto na fase posterior, de origem inflamatória.
Um dos dados mais relevantes surgiu no modelo de dor neuropática, caracterizada por lesões nos nervos — um tipo de dor difícil de controlar com analgésicos comuns.
Após dez dias de tratamento contínuo com Canabigerol, os animais demonstraram melhora significativa, sugerindo que a substância pode atuar de maneira eficaz mesmo em quadros crônicos.
Como o Canabigerol poderia ajudar na prática?
Além dos efeitos práticos, análises moleculares mostraram que o CBG interfere em marcadores envolvidos no processo da dor.
Nos machos, por exemplo, reduziu a expressão da citocina inflamatória TNF-α, enquanto nas fêmeas, modulou a atividade da proteína Nav1.7, que participa da condução dos sinais dolorosos ao cérebro.
Isso sugere que o canabinoide pode não apenas aliviar a dor, mas também agir nas causas que a tornam persistente.
Os próximos passos envolvem testar a substância em humanos, definir doses seguras e estudar diferentes formas de administração.
Embora os resultados em animais sejam animadores, ainda há um caminho até que o Canabigerol possa ser incorporado de forma segura e eficaz na prática clínica.
Com o debate sobre a regulamentação da cannabis em curso no Brasil, os dados reforçam a importância de políticas públicas baseadas em evidência científica.






