A tão aguardada inauguração oficial da nova fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, foi novamente postergada, mas a montadora chinesa celebrou, nesta terça-feira (1º), o início simbólico das operações.
Ainda em fase de ajustes técnicos e regulatórios, a unidade está operando de forma limitada e apenas com protótipos experimentais.
Produção em fase inicial e sem licença plena
Embora os primeiros veículos já estejam sendo montados, ainda faltam autorizações regulatórias essenciais para que a produção possa ser considerada plenamente operacional.
A montagem atual ocorre no regime SKD (Semi Knocked-Down) — ou seja, os carros chegam parcialmente desmontados da China e são apenas finalizados no Brasil. A expectativa é que esse modelo funcione por até um ano, com a produção 100% nacional prevista apenas para 2026.
Durante o evento interno desta terça-feira, a vice-presidente executiva global da BYD, Stella Li, afirmou:
“Levamos apenas 15 meses entre o início das obras e a entrega do primeiro veículo experimental. É um marco não apenas para a BYD, mas para a mobilidade sustentável em toda a América Latina.”
Cronograma alterado e desafios anteriores
A estreia oficial da planta já sofreu diversas alterações. Anunciada inicialmente para o final de 2024, a data foi transferida para o primeiro semestre de 2025, depois para 26 de junho, e agora adiada sem nova previsão concreta.
Entre os entraves enfrentados pela empresa estão o atraso na liberação de maquinários retidos no Porto de Salvador e a grave denúncia de trabalho análogo à escravidão durante as obras de instalação da unidade.
Quais modelos serão montados?
A lista de modelos que serão montados na unidade baiana sofreu modificações ao longo do tempo. Segundo a BYD, a planta será responsável por montar os híbridos Song Pro e King, o elétrico Dolphin Mini e, futuramente, a picape Shark — que deverá ser uma das apostas da marca para disputar o mercado nacional.
Capacidade produtiva e metas de expansão
Com um investimento total de R$ 5,5 bilhões, o complexo instalado no antigo espaço da Ford — que operou no local entre 2001 e 2021 — visa transformar Camaçari em um hub latino-americano de veículos elétricos e híbridos.
A expectativa é atingir a produção de 150 mil veículos por ano a partir de 2026, com potencial de expansão para 300 mil e, em longo prazo, até 600 mil unidades anuais.
Além de automóveis, a estrutura fabril será usada para a montagem de ônibus, caminhões elétricos e o refino de lítio e ferro fosfato — materiais essenciais na fabricação de baterias.
A BYD também anunciou a homologação de 106 fornecedores nacionais, com destaque para a Continental Pneus, localizada ao lado da fábrica.
Empregos e desenvolvimento regional
A iniciativa promete gerar até 10 mil empregos diretos e indiretos nesta primeira fase, com projeção de alcançar 20 mil postos de trabalho à medida que o projeto evolui.
A aposta é que a fábrica impulsione não apenas a indústria automotiva local, mas também a economia regional, consolidando a Bahia como protagonista na transição para a eletromobilidade no país.






