O Brasil registrou uma redução de 65,8% nas áreas queimadas no primeiro semestre de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior.
De 3,1 milhões de hectares queimados em 2024, o país passou para cerca de 1 milhão em 2025, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), baseados em informações do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da UFRJ.
Além disso, o Sistema BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontou queda de 46,4% nos focos de calor, totalizando 19.277 registros, o menor índice desde 2018.
Redução em quatro biomas brasileiros
A diminuição das áreas queimadas e dos focos de calor foi observada em quatro dos seis biomas brasileiros. O Pantanal foi o que apresentou o recuo mais acentuado, com queda de 97,8% nas áreas queimadas e 97,6% nos focos de calor.
A Amazônia teve redução de 75,4% nas áreas atingidas e 61,7% nos focos de calor. A Mata Atlântica e o Cerrado também registraram quedas relevantes, embora menos expressivas.
Por outro lado, a Caatinga e o Pampa foram os únicos biomas que apresentaram aumento tanto em área queimada quanto em focos de calor, demandando atenção especial para essas regiões.
Impacto da mudança climática e a resposta governamental
Segundo a ministra Marina Silva, a intensificação dos incêndios está diretamente ligada às mudanças climáticas, com temperaturas elevadas e períodos prolongados de seca aumentando a vulnerabilidade das florestas.
Para enfrentar esse cenário, o governo federal, sob o comando do presidente Lula, implementou uma série de ações coordenadas em parceria com estados, municípios, academia, setor privado e sociedade civil, priorizando a prevenção e o combate aos incêndios.
Medidas adotadas para prevenção e combate aos incêndios
Em 2025, foi contratado o maior contingente de brigadistas federais da história, com 4.385 profissionais, aumento de 26% em relação a 2024. O Ibama também renovou sua frota aérea com a aquisição de sete novos helicópteros, ampliando a capacidade de transporte e combate ao fogo.
A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, sancionada em 2024, estabeleceu diretrizes para o uso controlado do fogo e a coordenação entre diferentes níveis de governo e setores da sociedade.
Investimentos financeiros e fortalecimento das capacidades regionais
Desde 2023, o Fundo Amazônia aprovou R$ 405 milhões para apoiar os Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia Legal na prevenção e combate aos incêndios florestais, com R$ 370 milhões já contratados para projetos específicos.
O Comitê Orientador do Fundo Amazônia também autorizou o uso de recursos para ações nos biomas Cerrado e Pantanal, fortalecendo a atuação em áreas de maior vulnerabilidade.
O MMA realiza reuniões com especialistas para analisar dados climáticos e projeções de risco, possibilitando ações rápidas e ajustadas ao cenário. Embora a seca e o perigo de incêndios tenham sido menores em 2025 comparado a anos anteriores, o acompanhamento contínuo permanece essencial para evitar retrocessos.
Fortalecimento da legislação ambiental
A aprovação da Lei nº 15.143/25 trouxe mecanismos para agilizar repasses financeiros e contratação de brigadistas, além de permitir o uso de aeronaves estrangeiras em emergências.
Em 2025, o governo também reforçou as punições para incêndios florestais por meio do Decreto nº 12.189, demonstrando compromisso com o endurecimento das medidas contra práticas criminosas.
Campanhas específicas foram realizadas em estados mais afetados, como Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Roraima, para alertar a população sobre os riscos dos incêndios florestais e estimular denúncias de crimes ambientais.
A articulação entre órgãos federais, estaduais e municipais foi ampliada para garantir resposta integrada e eficaz.
Desafios para o futuro
Apesar dos avanços e resultados positivos, o Brasil ainda enfrenta desafios relacionados ao aquecimento global, que tende a aumentar a frequência e intensidade de eventos climáticos extremos.
O governo ressalta a necessidade de manutenção dos esforços, aprimoramento das políticas públicas e engajamento de toda a sociedade para preservar os biomas e proteger os recursos naturais.





