Pesquisas recentes indicam que muitos alimentos consumidos no Brasil podem apresentar níveis de resíduos de agrotóxicos superiores aos limites estabelecidos pelas autoridades sanitárias. O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), cujo relatório referente ao ano de 2024 foi divulgado em dezembro de 2025, avaliou 3.084 amostras de 14 produtos distintos, coletadas em 88 municípios de diversas regiões do país.
Os alimentos que se destacaram com maior presença de pesticidas incluem pepino, laranja, couve, abobrinha, aveia, banana, cebola, maçã, mamão e milho. Vale ressaltar que a presença de resíduos não se restringe aos produtos frescos: alimentos ultraprocessados também podem conter traços de agrotóxicos, pois utilizam como matéria-prima ingredientes como trigo, soja e outros vegetais suscetíveis à contaminação.
Alimentos com agrotóxicos
Embora 79,4% das amostras tenham se mantido dentro dos limites legais, apenas 25,6% não apresentavam qualquer resíduo de agrotóxico. Em contrapartida, 20,6% das amostras foram consideradas insatisfatórias, apresentando pesticidas proibidos ou níveis superiores aos permitidos. Entre os compostos identificados, o carbendazim — substância proibida no Brasil — se destacou, sendo detectado em produtos como a laranja, uma das frutas mais consumidas no país.
O parâmetro de ingestão diária aceitável é calculado com base em um indivíduo adulto com 60 quilos, não refletindo a vulnerabilidade de grupos sensíveis da população, como crianças, gestantes, idosos e lactantes. A exposição a agrotóxicos pode resultar em efeitos diversos, variando desde intoxicação aguda em concentrações elevadas até impactos crônicos. Entre estes últimos, destacam-se desregulação hormonal, imunotoxicidade, alterações metabólicas, comprometimento da função reprodutiva e aumento do risco de desenvolvimento de câncer.
Medidas de combate
Órgãos como fígado e rins, responsáveis pelo processamento e eliminação de toxinas, são particularmente vulneráveis aos agrotóxicos. Medidas de redução de risco, como lavagem cuidadosa, uso de soluções de vinagre ou bicarbonato e remoção da casca de frutas e hortaliças, ajudam a diminuir a exposição, mas não garantem a eliminação completa dos resíduos.
O contexto evidencia a necessidade de ampliar o controle sobre pesticidas e adotar práticas agrícolas mais sustentáveis. Sistemas agroflorestais, rotação de culturas, hortas comunitárias, bancos de sementes e manejo biológico de pragas podem reduzir a presença de agrotóxicos, promovendo maior segurança alimentar, preservação ambiental e proteção à saúde da população.





