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Brasil reivindica território submerso no Atlântico com riquezas minerais

Por Leticia Florenço
08/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Desde 2018, o Brasil oficializa sua reivindicação junto à Organização das Nações Unidas (ONU) para ampliar sua plataforma continental no Oceano Atlântico, incluindo uma área conhecida como Elevação do Rio Grande.

Essa formação submersa, situada a cerca de 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul e a 5 mil metros de profundidade, tem uma área equivalente à Espanha, cerca de 500 mil km², e pode ter sido, no passado remoto, parte do território continental brasileiro.

A base jurídica da reivindicação está na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que permite aos países ampliarem suas áreas de exploração econômica se comprovarem continuidade geológica entre seu território continental e as regiões submersas.

Essa possibilidade abre um caminho estratégico para o Brasil garantir direitos exclusivos sobre recursos minerais e biológicos.

Características geológicas e ambientais da Elevação do Rio Grande

Pesquisas científicas conduzidas por instituições como a Universidade de São Paulo (USP) revelam que a Elevação do Rio Grande apresenta características geológicas surpreendentes:

  • Solo e composição: Camadas de basalto (rocha vulcânica) e argila vermelha indicam que a área já foi uma ilha vulcânica tropical, com solo muito semelhante ao encontrado no interior de São Paulo.
  • Altitudes impressionantes: Alguns picos da elevação ultrapassam 4.000 metros de altura, mais altos que o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil continental.
  • Formação histórica: A região possuía clima tropical e provavelmente era coberta por florestas e recifes, mas sofreu erosões e sucessivas erupções vulcânicas até afundar.
  • Biodiversidade: Estudos buscam entender a fauna e flora presentes, ainda pouco conhecidas devido à profundidade e ao acesso difícil.

Imagens captadas por veículos submarinos não tripulados trouxeram detalhes inéditos, como cânions profundos e formações rochosas, que ajudam a entender a geografia e a história natural da área.

Riquezas minerais

Um dos aspectos mais importantes dessa reivindicação está na enorme concentração de minerais estratégicos encontrados no local:

  • Terras raras: O Brasil já é detentor da segunda maior reserva mundial de minerais chamados “terras raras”, essenciais para a indústria tecnológica e energética, especialmente na transição para fontes renováveis e carros elétricos. A Elevação do Rio Grande apresenta uma concentração anômala dessas substâncias, consideradas “minerais do futuro”.
  • Mineração submarina: Apesar do potencial mineral, o Brasil ainda não domina plenamente a tecnologia para beneficiamento e transformação industrial dessas riquezas, exportando principalmente matérias-primas brutas.
  • Importância geopolítica: O controle desses recursos pode colocar o Brasil em posição estratégica mundial, principalmente frente à demanda crescente por minerais críticos e à competição geopolítica envolvendo países como a China.

Pesquisadores ressaltam que o foco atual é compreender melhor a área, seus minerais e seu ecossistema, sem pressa para explorar comercialmente a região.

Áreas reivindicadas

O Brasil não reivindica apenas a Elevação do Rio Grande, mas outras duas grandes áreas fora da Zona Econômica Exclusiva (ZEE), totalizando cerca de 1,5 milhão de km²:

  • Margem Oriental-Meridional (onde está a Elevação do Rio Grande)
  • Região Sul
  • Margem Equatorial

A ZEE brasileira corresponde a uma faixa marítima de até 200 milhas náuticas da costa, onde o Brasil tem direitos exclusivos. Além dela, o território é considerado patrimônio da humanidade, sujeito a regras internacionais.

O pedido brasileiro está sendo analisado pela Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU desde fevereiro de 2025. Em março, a comissão validou a metodologia usada pelo Brasil, mas a decisão final ainda não tem prazo para ser anunciada.

Implicações ambientais e científicas

Além do aspecto econômico e geopolítico, a Elevação do Rio Grande representa um importante objeto de estudo para várias áreas do conhecimento:

  • Ecologia submarina: Entender a vida marinha adaptada às profundidades extremas e as possíveis espécies endêmicas.
  • Impactos ambientais: Avaliar riscos da mineração submarina e criar políticas para preservar o ecossistema local.
  • Legislação internacional: Navegar pelas complexas normas ambientais e marítimas que regulam a exploração sustentável dessas regiões.

Pesquisadores de universidades como USP, Mackenzie, UFRJ, Ufes e UNB trabalham em conjunto para mapear os múltiplos aspectos da elevação, buscando um equilíbrio entre exploração e conservação.

O resultado desse processo pode redefinir a presença do Brasil no Atlântico Sul, ampliando seu território e seu protagonismo no cenário global.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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