Com o avanço das tecnologias de segurança digital, métodos como a biometria facial passaram a fazer parte do dia a dia dos brasileiros — especialmente em serviços bancários e benefícios sociais.
Mas enquanto essas ferramentas prometem facilitar a vida e aumentar a proteção dos usuários, também abriram brechas para práticas criminosas que afetam, principalmente, os mais vulneráveis: os idosos.
Golpistas têm se aproveitado do desconhecimento de muitos aposentados sobre o funcionamento desses sistemas para aplicar fraudes sofisticadas que resultam em prejuízos financeiros.
Biometria facial é usada como golpe para atingir aposentados
A biometria facial é um recurso que identifica uma pessoa por meio das características únicas do seu rosto. O sistema capta detalhes como a distância entre os olhos, o formato da boca, o contorno das maçãs do rosto e a profundidade do olhar.
Esses elementos formam um padrão matemático chamado de “impressão facial”, que serve como uma espécie de assinatura digital.
Trata-se de uma tecnologia segura quando bem aplicada, mas que, nas mãos erradas, pode ser usada para imitar a identidade da vítima e autorizar movimentações bancárias sem seu conhecimento.
O golpe geralmente começa com uma abordagem aparentemente inofensiva. Criminosos se apresentam como assistentes sociais, agentes de programas públicos ou até voluntários oferecendo cestas básicas ou algum tipo de ajuda.
Durante essa interação, pedem para tirar fotos do rosto do idoso e de seus documentos, alegando necessidade de cadastro. O que parece uma simples selfie acaba sendo material para burlar sistemas de autenticação facial em bancos e fintechs.
Usando essas imagens de alta resolução, os fraudadores conseguem simular a presença da vítima em aplicativos e plataformas financeiras, contratando empréstimos que, depois, são descontados diretamente do benefício previdenciário do aposentado.
Como se proteger do golpe com biometria facial
As vítimas preferidas são pessoas idosas que mantêm hábitos presenciais e não dominam ferramentas digitais. Muitas não sabem que autorizar o uso da imagem do próprio rosto pode ser tão arriscado quanto assinar um contrato sem ler. Esse desconhecimento facilita a ação dos criminosos.
Para se proteger, é essencial recusar fotografias em situações suspeitas, evitar tirar os óculos ou remover acessórios como bonés durante abordagens não oficiais e desconfiar de insistências para capturar imagens com boa iluminação.
Especialistas também alertam para a necessidade de uma regulação mais firme e da cooperação entre instituições financeiras, empresas de tecnologia e órgãos públicos para evitar que a biometria, em vez de proteger, seja usada como instrumento de fraude.






