Uma análise recente de uma população indígena da Amazônia boliviana questiona premissas sobre o envelhecer biológico. A inflamação crônica, ou “inflammaging”, tradicionalmente ligada ao envelhecimento, pode estar mais associada a fatores ambientais e estilo de vida.
Publicada recentemente na Nature, a pesquisa comparou marcadores inflamatórios em amostras de sangue de cerca de 2.800 adultos de quatro populações: duas de regiões industrializadas — Chianti (Itália) e Singapura — e duas não industrializadas — os Tsimane, na Bolívia, e os Orang Asli, na Malásia.
Envelhecer sem inflamação
Enquanto as populações urbanas apresentaram os sinais característicos de inflammaging, os grupos indígenas exibiram padrões inflamatórios distintos, provavelmente ligados a infecções agudas e sem aumento desses marcadores com a idade. Apesar da ausência de amostras coletadas diretamente para comparação precisa, os resultados indicam que dieta, ambiente e estilo de vida influenciam significativamente os perfis inflamatórios.
As populações não industrializadas, vivendo em ambientes menos poluídos e com dietas baseadas em plantas, parecem manifestar inflamação associada a agentes infecciosos, sem a relação com doenças crônicas comum nas áreas urbanas. Esses dados desafiam a visão predominante, baseada majoritariamente em estudos de países de alta renda, e apontam para maior variabilidade global no envelhecimento.
O estudo indica que a exposição inicial a microrganismos do ambiente pode fortalecer a resposta imunológica adaptativa, ao passo que a poluição e toxinas típicas dos ambientes urbanos contribuem para a inflamação crônica. Essa diferença nos tipos de inflamação suscita dúvidas sobre o impacto verdadeiro da inflamação no processo de envelhecimento e nas doenças relacionadas.
Pontos de atenção
Contudo, especialistas destacam a necessidade de estudos mais amplos e longitudinais antes de revisar o conceito consolidado de inflammaging. Ademais, a menor expectativa de vida das populações indígenas pode explicar a ausência dos sinais típicos, já que muitos indivíduos podem não atingir a idade em que essas alterações costumam surgir.
Por fim, destaca-se que, para envelhecer de forma saudável, é fundamental adotar hábitos como alimentação balanceada e prática regular de exercícios físicos, priorizando esses cuidados em vez do uso indiscriminado de medicamentos ou suplementos anti-inflamatórios.





