Seis moradores do município de Ibititá, no interior da Bahia, enfrentaram um grave susto com uma doença quase fatal após consumirem uma bebida tradicionalmente presente em feiras e comércios populares em todo o Brasil: o caldo de cana.
A ingestão do produto, feito artesanalmente, pode ter sido a porta de entrada para a infecção por Trypanosoma cruzi, o protozoário causador da doença de Chagas, enfermidade potencialmente fatal quando não identificada e tratada a tempo.
Bebida muito popular no Brasil causa doença quase fatal em 6 pessoas
Os casos surgiram quase simultaneamente, despertando o alerta das autoridades de saúde locais.
Os pacientes, três homens e três mulheres com idades entre 30 e 57 anos, apresentaram sintomas típicos da fase aguda da doença, como febre persistente, inchaço no rosto e nas pernas, falta de apetite, dores de cabeça, batimentos cardíacos acelerados e manchas avermelhadas na pele.
Um deles chegou a ser hospitalizado, mas sem complicações graves. Os demais foram monitorados e tratados após alterações detectadas em exames cardíacos.
A principal hipótese levantada pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Bahia aponta para a via oral de contaminação, por meio do consumo de caldo de cana contaminado.
A produção caseira da bebida, feita fora dos padrões de higiene e segurança sanitária, pode ter sido exposta à presença do barbeiro, que é o inseto transmissor do Trypanosoma cruzi, ou de suas fezes, que carregam o parasita responsável pela infecção.
Como se proteger da doença de Chagas?
A doença de Chagas, embora mais conhecida por sua transmissão vetorial, também pode se espalhar por ingestão de alimentos contaminados, transfusões de sangue, transplantes de órgãos e até da mãe para o bebê durante a gestação.
Inicialmente silenciosa, a enfermidade pode evoluir, ao longo dos anos, para formas crônicas que afetam o coração e o sistema digestivo, com risco de morte súbita em casos mais graves.
Para prevenir a doença, é essencial garantir a procedência e a higiene de alimentos e bebidas consumidos, especialmente em áreas endêmicas.
Equipamentos de extração de caldo de cana devem ser higienizados com frequência e protegidos contra insetos. A vigilância sanitária e a conscientização da população são fundamentais para evitar novos surtos.
As autoridades continuam acompanhando os pacientes e reforçando as orientações à população local.
O caso reacende o alerta para a necessidade de cuidados na produção e no consumo de alimentos regionais, mesmo os mais populares.






