Capturada em 1984 na província de Buenos Aires, quando estava ferida e desorientada em redes de pesca, a tartaruga-cabeçuda Jorge (Caretta caretta) permaneceu por 37 anos em cativeiro no aquário de Mendoza, na Argentina.
Original da Praia do Forte, na Bahia, e com cerca de 60 anos e 100 quilos, Jorge tornou-se uma figura emblemática local devido ao longo período em tanques restritos, resultado da ausência, na época, de técnicas consolidadas para sua reabilitação. Em abril de 2025, após intenso trabalho de readaptação, foi finalmente reintegrada ao Oceano Atlântico.
História de Jorge
- Movimentação social com petições e ações judiciais levou à transferência de Jorge para o Aquário de Mar del Plata.
- Lá, passou por três anos de readaptação, com aumento gradual da salinidade da água.
- Exames médicos acompanharam sua saúde e adaptação.
- A dieta mudou de ovos e carne para crustáceos vivos, compatíveis com sua alimentação natural.
- O ambiente foi ajustado para simular temperatura e salinidade oceânicas.
- Correntes artificiais estimularam o nado e os instintos naturais.
- Jorge foi solta em 11 de abril de 2025, equipada com rastreador via satélite.
Trajeto da tartaruga
Desde sua soltura, Jorge é monitorada por uma rede científica internacional da Argentina, Brasil e Uruguai dedicada à conservação de tartarugas marinhas no Atlântico. Após percorrer cerca de 3.500 quilômetros, chegou à Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, em 16 de julho.
Essa região, reconhecida recentemente como rota migratória da espécie, oferece abundância de crustáceos, seu alimento preferido, mas também apresenta riscos como poluição, tráfego intenso e práticas pesqueiras que ameaçam sua sobrevivência.
Para minimizar esses perigos, equipes do Projeto Aruanã monitoram a tartaruga de perto, com o propósito de direcioná-la a regiões mais seguras, além de conscientizar a população local sobre a importância de manter distância e evitar qualquer tentativa de captura.






