Pesquisas realizadas no país indicam a presença de antimicrobianos e de genes associados à resistência em rios e efluentes urbanos, resultado tanto do consumo amplo desses medicamentos quanto de práticas inadequadas de descarte.
A contaminação ambiental cria condições para a consolidação de focos de bactérias resistentes, ampliando a disseminação da resistência antimicrobiana, hoje apontada como uma das principais ameaças à saúde pública mundial.
Levantamentos internacionais também apontam que até 90% dos antibióticos utilizados na medicina humana e na produção animal podem atingir o meio ambiente ainda biologicamente ativos, por meio de redes de esgoto, águas residuais e sistemas de drenagem sem tratamento adequado.
Aumento de bactérias por descarte incorreto de antibióticos
Ao interagirem com microrganismos presentes na água e no solo, resíduos de antibióticos eliminam bactérias mais sensíveis e favorecem a sobrevivência das resistentes, criando um ambiente propício ao surgimento das chamadas superbactérias.
A resistência antimicrobiana resulta de múltiplos fatores. Além do descarte doméstico inadequado de medicamentos vencidos no vaso sanitário, na pia ou no lixo comum, contribuem para o problema os efluentes hospitalares, a produção industrial de fármacos e o uso indiscriminado de antibióticos na medicina humana, na pecuária e na agricultura.
No Brasil, estudos identificam fragilidades na gestão de resíduos em unidades básicas de saúde, com ausência de padronização nos protocolos de descarte e falhas na orientação de profissionais e usuários.
Essas lacunas ampliam o risco de contaminação ambiental e também expõem trabalhadores da reciclagem ao contato com resíduos químicos potencialmente perigosos misturados ao lixo comum.
Medidas de combate
Como estratégia de mitigação, o Brasil dispõe de um sistema de logística reversa que viabiliza a devolução de medicamentos vencidos ou sem uso em farmácias e drogarias, assegurando encaminhamento ambientalmente adequado.
A iniciativa contribui para diminuir a contaminação de ecossistemas e reduzir a exposição da população a resíduos farmacêuticos.
No cenário internacional, a Organização Mundial da Saúde divulgou, em 2024, diretrizes voltadas à redução da poluição por antibióticos nos processos de fabricação, ao reconhecer que emissões industriais ainda carecem de regulamentação mais rigorosa e podem favorecer a propagação da resistência.






