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Autoridades alertam para planta venenosa que cresce em áreas urbanas

Por Leticia Florenço
02/12/2025
Em Geral
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planta venenosa

Espirradeira - Reprodução/Unsplash

Apesar da aparência elegante e das flores que variam entre branco, amarelo, rosa e vermelho, a espirradeira (Nerium oleander) se tornou motivo de preocupação entre autoridades e especialistas.

Popular há décadas no paisagismo urbano, a espécie hoje é alvo de alertas por ser considerada uma das plantas ornamentais mais tóxicas do mundo, um risco real para humanos e animais.

A espirradeira tem raízes no Mediterrâneo e no oeste da China, regiões onde cresce de forma natural há séculos. No Brasil, porém, seu uso paisagístico expandiu rapidamente.

Adapta-se com facilidade ao clima tropical e subtropical, transformando-se em arbustos robustos ou pequenas árvores que se multiplicam em canteiros de avenidas, praças, residências e condomínios.

Presença em praticamente todas as regiões

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De acordo com registros do Flora do Brasil (JBRJ), a planta está espalhada por vários estados:

  • Norte: Tocantins
  • Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe
  • Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul
  • Sudeste: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo
  • Sul: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul

Sua capacidade de adaptação fez com que se tornasse comum tanto em ambientes públicos quanto privados, o que amplia a exposição de pessoas e animais ao perigo.

Toxicidade extrema

Pesquisas da USP e dados toxicológicos do CIATox/SC confirmam: todas as partes da espirradeira são venenosas. A toxicidade está presente na seiva, nas folhas, nas flores, nos galhos e até na fumaça liberada caso a planta seja queimada.

As substâncias mais perigosas, oleandrina e estrofantina, são glicosídeos cardíacos capazes de afetar diretamente o funcionamento do coração.

Sintomas de intoxicação:

  • Náuseas e vômitos
  • Tontura e sonolência
  • Alterações na visão
  • Distúrbios cardíacos
  • Edema pulmonar
  • Confusão mental
  • Risco de coma

O agravamento dos sintomas pode ocorrer rapidamente, o que reforça a importância de afastar crianças e animais da planta.

Cidades começam a reagir

Em abril, a Prefeitura de Araranguá (SC) publicou um comunicado oficial alertando a população sobre os riscos da espirradeira. O aviso reforçou que, apesar das flores ornamentais e do uso frequente em jardins, a espécie é extremamente tóxica.

A administração também reiterou que:

  • representa perigo para moradores, especialmente crianças e pets;
  • o plantio deve ser evitado;
  • quem já cultiva a planta deve considerar substituí-la por alternativas seguras.

Recomendações e alternativas seguras

Autoridades municipais e instituições de pesquisa concordam: a presença de espirradeiras em áreas urbanas deve ser desencorajada. O risco supera a vantagem estética, principalmente em locais com grande circulação de pessoas.

É essencial:

  • Evitar o cultivo em espaços públicos e residenciais;
  • Manter crianças e animais afastados;
  • Substituir arbustos de espirradeira por espécies não tóxicas.

Sugestões de plantas para substituir a espirradeira

A Prefeitura de Araranguá e especialistas recomendam:

  • Azaleia
  • Hibisco
  • Aroeira
  • Pitangueira
  • Clusia
  • Gabiroba
  • Jabuticabeira

Essas opções oferecem beleza, sombra e bom desenvolvimento urbano, sem o risco associado ao oleandro.

Conforme mais cidades passam a compreender os riscos, cresce também a mobilização para substituir a planta por alternativas seguras, preservando ao mesmo tempo a estética e a segurança das áreas urbanas.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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