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Astrônomos detectaram um forte sinal vindo do espaço com duração de 7 horas

Por Leticia Florenço
18/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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espaço

Em 2025, a comunidade científica foi surpreendida por um poderoso sinal de raios gama vindo do espaço que permaneceu ativo por cerca de sete horas.

Batizado de GRB 250702B, o evento entrou para a história como a explosão de raios gama mais longa já registrada. A descoberta reacendeu debates, levantou novas hipóteses e mostrou que o Universo ainda guarda processos que desafiam o conhecimento atual.

O que são explosões de raios gama no espaço

As chamadas Gamma-Ray Bursts (GRBs) são explosões extremamente energéticas detectadas na forma de raios gama, o tipo mais poderoso de radiação eletromagnética.

Elas foram identificadas pela primeira vez na década de 1960 por satélites militares dos Estados Unidos, que buscavam sinais de explosões nucleares na Terra, mas acabaram captando flashes intensos vindos do espaço profundo.

Durante anos, a origem dessas explosões permaneceu um mistério. Hoje, sabe-se que estão associadas a eventos violentos, como o colapso de estrelas gigantes ou a fusão de estrelas de nêutrons.

Como o sinal foi detectado

A detecção do GRB 250702B ocorreu por meio de telescópios espaciais especializados em monitorar grandes áreas do céu em busca de pulsos de alta energia. Instrumentos como o Telescópio Espacial Fermi, da NASA, analisam continuamente o fundo cósmico em busca de variações repentinas.

Quando um sinal intenso é identificado, os dados são enviados automaticamente a cientistas responsáveis por avaliar o evento. No caso desse fenômeno específico, o padrão chamou atenção imediatamente: três pulsos distintos pareciam surgir do mesmo ponto do céu, sugerindo um único evento extraordinariamente prolongado.

Por que o GRB 250702B é tão incomum

A maioria das explosões de raios gama dura poucos segundos ou, no máximo, alguns minutos. O recorde anterior de duração girava em torno de 15 mil segundos. O GRB 250702B, porém, alcançou aproximadamente 25 mil segundos, cerca de sete horas ininterruptas de emissão detectável.

Essa duração extrema não se encaixa completamente nos modelos tradicionais que explicam as GRBs, exigindo uma nova interpretação física para o fenômeno.

As causas conhecidas das explosões cósmicas no espaço

Normalmente, as explosões de raios gama são associadas a dois processos principais. O primeiro envolve o colapso de uma estrela massiva e de rápida rotação, que ao esgotar seu combustível nuclear implode e forma um buraco negro.

Nesse processo, jatos poderosos são lançados ao espaço e, se estiverem alinhados com a Terra, são detectados como GRBs. O segundo cenário ocorre quando duas estrelas de nêutrons orbitam uma à outra e eventualmente colidem, formando um objeto compacto que também gera jatos energéticos.

No entanto, a duração excepcional do GRB 250702B sugere que outro mecanismo possa estar em ação.

A hipótese da fusão com estrela de hélio

Uma das explicações mais promissoras é o chamado “mergulho de hélio”. Nesse cenário, um buraco negro de massa estelar orbita uma estrela composta principalmente por hélio, que já perdeu suas camadas externas de hidrogênio.

Quando essa estrela entra em uma fase de expansão, o buraco negro pode penetrar seu envelope e começar a consumir rapidamente seu material.

A enorme transferência de momento angular alimenta um jato de energia que pode permanecer ativo por muito mais tempo do que nas explosões tradicionais. Esse processo poderia justificar a duração inédita observada.

Por que eventos assim são raros

Explosões de longa duração podem ser menos comuns, mas também podem passar despercebidas. Muitos telescópios são programados para identificar sinais curtos e intensos. Eventos mais longos e relativamente menos brilhantes exigem atenção contínua e análise cuidadosa.

Além disso, se ocorrerem muito distantes da Terra, podem ser fracos demais para serem detectados com clareza. Isso significa que fenômenos semelhantes podem existir, mas ainda não foram registrados.

O que vem pela frente

Novos instrumentos, como o telescópio COSI, previsto para lançamento em 2027, prometem ampliar a capacidade de observação em raios gama.

Com tecnologia mais sensível, será possível identificar explosões de longa duração com maior precisão e entender se o GRB 250702B é uma exceção rara ou parte de uma classe ainda pouco conhecida de eventos cósmicos.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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