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Aprenda como ativar o lado direito do cérebro para pensar menos

Por Leticia Florenço
29/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Aos 20 anos, Chris Niebauer enfrentou uma perda que mudou sua vida: a morte do pai. Em meio ao luto, ele mergulhou nos estudos da mente humana, buscando respostas na neuropsicologia.

Mas logo percebeu que os modelos tradicionais da ciência ocidental eram insuficientes para explicar as grandes questões da existência.

A resposta não estava apenas nos manuais acadêmicos, mas também nas tradições orientais milenares, como o budismo, que há mais de dois milênios já intuía que o sofrimento nasce de uma percepção equivocada do “eu”.

Dois hemisférios, dois mundos

O cérebro humano é dividido em dois hemisférios que processam o mundo de formas complementares. O lado esquerdo é o narrador: constrói a linguagem, analisa padrões e organiza categorias.

Já o direito é o artista silencioso, sente, percebe, vive o presente. O problema, segundo Niebauer, é que a sociedade moderna supervaloriza o cérebro esquerdo, e deixa o direito em segundo plano.

Essa desproporção cria um desequilíbrio interno. Ao confiar demais na racionalização e na linguagem, deixamos de viver a experiência direta da realidade. O resultado? Ansiedade, insatisfação e um “self” construído mais por ideias do que por vivências.

A ilusão do eu

Você não é o que pensa. Literalmente. O livro A Ilusão do Eu propõe que o self é uma história inventada pelo cérebro esquerdo.

A neurociência moderna não encontrou nenhuma parte específica do cérebro que contenha o “eu”, apenas circuitos que criam narrativas sobre quem acreditamos ser. E quanto mais alimentamos essas histórias, mais nos afastamos da realidade imediata.

O ego é, portanto, uma construção linguística, um personagem fictício que, ao ser levado a sério demais, se torna fonte constante de sofrimento. A ironia? Passamos mais tempo tentando gerenciar esse personagem do que realmente vivendo.

A armadilha digital

Se o cérebro esquerdo é o responsável pelas representações simbólicas da realidade, as telas digitais são seu parque de diversões favorito. As redes sociais, os textos, os vídeos, tudo nos coloca em contato com representações do mundo, não com o mundo em si.

A tecnologia amplia o tempo que gastamos “pensando sobre” e reduz o tempo que usamos “sentindo e experimentando”.

É como trocar o mar de verdade por uma foto dele. A sensação, o cheiro, o toque desaparecem, e só resta a ideia, empobrecida, da vivência. Nesse cenário, o cérebro direito é relegado ao silêncio.

Mindfulness, música e natureza

Quer sair da prisão do pensamento constante? A boa notícia é que isso não exige nenhuma tecnologia futurista, só presença. Ouvir música com atenção plena, caminhar pela natureza, praticar ioga, desenhar, dançar ou até mesmo lavar a louça em estado meditativo são formas de ativar o cérebro direito.

Mas há um segredo, você precisa estar no agora. Isso significa silenciar as vozes do cérebro esquerdo e permitir que a experiência fale por si só. Sem julgamentos. Sem análises. Apenas vivência pura.

A paz entre os pensamentos

Em seus estudos, Niebauer propõe um dica poderosa, o bem-estar não está em pensar melhor, mas em pensar menos. A verdadeira paz reside nos intervalos entre os pensamentos, na quietude, no espaço em que o cérebro direito floresce e o mundo real se revela.

Imagine cada pensamento como uma onda. Entre elas, existe o silêncio do mar. É nesse silêncio que mora a serenidade. E, quanto mais valorizamos esses momentos, mais tempo passamos no mundo real, aquele que pulsa com sensações, conexões autênticas e beleza.

O cérebro, o Buda e a nova ciência da mente

A ciência está, aos poucos, alcançando os antigos mestres do Oriente. A ideia de que o self é uma ilusão e que o sofrimento nasce da identificação com esse “eu mental” já fazia parte das palavras de Buda. Hoje, a neuropsicologia moderna começa a confirmar isso com evidências.

A ponte entre filosofia oriental e neurociência é não só possível, como necessária. Afinal, o que buscamos, menos angústia, mais presença, mais sentido, exige tanto sabedoria quanto ciência.

O lado direito do cérebro, ignorado por tanto tempo, é um portal para uma vida mais plena. Ativá-lo não exige esforço sobre-humano, mas um gesto simples, parar de se perder em pensamentos e começar a viver, de verdade.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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