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Alunos usam brigadeiro para tentar envenenar professora por causa de nota baixa

Por Leticia Florenço
07/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Brigadeiro - Reprodução/iStock

Brigadeiro - Reprodução/iStock

Uma escola do bairro São Caetano, em Salvador, viveu um episódio que ultrapassa qualquer limite do imaginável no ambiente educacional.

Quatro alunos do ensino fundamental, todos com apenas 12 anos, foram denunciados por planejarem envenenar duas professoras utilizando brigadeiros supostamente contaminados com chumbinho, um veneno comumente usado de forma ilegal para exterminar ratos.

A motivação? Notas baixas e o medo de serem colocados em recuperação.

A motivação por trás da ideia perigosa

Segundo o registro feito pela direção da escola na delegacia, os estudantes estavam frustrados com o desempenho escolar. As notas abaixo do esperado provocaram ansiedade e medo de enfrentar avaliações de recuperação.

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A partir desse desconforto, o grupo teria encontrado “uma solução” tão extrema quanto assustadora: eliminar o problema atacando a professora, literalmente. A ideia de colocar veneno no doce surgiu em conversas entre eles, como se fosse algo simples, uma atitude sem peso moral nem consequência.

Como o plano foi descoberto

O brigadeiro seria entregue a duas docentes. Entretanto, antes que o plano fosse colocado em prática, um quinto aluno ouviu a conversa, entendeu a gravidade do que estava em andamento e tomou uma decisão corajosa, procurou a direção e contou tudo.

Graças a esse ato, o envenenamento não aconteceu. Quando confrontados, os quatro envolvidos confessaram a armação, mas negaram ter levado o veneno até o colégio naquele dia.

A confissão, porém, já deixava claro que o pensamento criminoso estava presente e articulado.

O choque e o medo da professora alvo

A professora que seria o principal alvo ficou em estado de choque ao receber a notícia. Em um áudio que circulou entre colegas da rede de ensino, ela relata sua incredulidade e emite um alerta para outros profissionais.

A voz carregada de medo revela o impacto emocional do episódio. “Fiquem atentos, em alerta. Não aceitem nada. Infelizmente, estamos vivendo assim.”

O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Contra Criança e Adolescente (Dercca). A investigação está agora com a Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI).

Como se trata de menores de idade, os procedimentos seguem o Estatuto da Criança e do Adolescente, garantindo sigilo sobre nomes e detalhes pessoais. Ainda assim, o episódio já é tratado pelas autoridades como uma tentativa de crime com alto grau de planejamento.

Consequências imediatas dentro da escola

Após a descoberta, a direção afastou os quatro alunos das aulas presenciais. Eles passaram a realizar atividades escolares em casa, enquanto recebem acompanhamento psicológico.

A escola reforçou protocolos de segurança interna e orientou professores e funcionários a não aceitarem alimentos de alunos ou terceiros, pelo menos até que o caso seja totalmente esclarecido.

A resposta da Secretaria da Educação

A Secretaria da Educação da Bahia se pronunciou afirmando que está acompanhando o caso de perto, prestando apoio às famílias envolvidas, às professoras e à comunidade escolar. A pasta declarou que segurança e proteção ao ambiente de ensino são prioridades, reforçando que medidas adicionais estão sendo avaliadas.

A escola ensina conteúdo, mas é a família e a sociedade que devem ensinar valores. Respeito, empatia, responsabilidade e entendimento das consequências dos próprios atos são construídos diariamente, não apenas dentro da sala de aula.

O caso de Salvador mostra que não se trata apenas de desempenho escolar. Trata-se de formação humana.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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