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Alimentos comuns no dia a dia que são inimigos do nosso coração

Por Leticia Florenço
14/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Alimentos Ultraprocessados - Reprodução/Unsplash

Alimentos Ultraprocessados - Reprodução/Unsplash

As artérias são verdadeiras rodovias do corpo. Elas transportam o sangue rico em oxigênio que sai do coração e abastece órgãos, músculos e tecidos.

Quando esse fluxo é prejudicado, o organismo começa a dar sinais: dores nas pernas ao caminhar, cãibras frequentes, cansaço excessivo e, em casos mais graves, risco aumentado de infarto e AVC.

O acúmulo de gordura nas paredes desses vasos recebe o nome de aterosclerose. Esse processo ocorre de forma lenta e silenciosa, sendo resultado, na maioria das vezes, de hábitos mantidos por anos, especialmente alimentares.

Temperos prontos

Os temperos industrializados parecem inofensivos porque fazem parte da rotina e facilitam o preparo das refeições. Porém, o uso frequente contribui para uma alimentação inflamatória e pobre em nutrientes.

Esses produtos são classificados como ultraprocessados, ricos em sódio, gorduras de baixa qualidade, aditivos químicos e realçadores de sabor. O consumo diário favorece retenção de líquidos, aumento da pressão arterial e alterações no colesterol.

O problema não é o uso pontual, mas o hábito de utilizá-los em praticamente todas as refeições. Com o tempo, essa sobrecarga pode prejudicar os vasos sanguíneos e comprometer a saúde cardiovascular.

Sal em excesso

O sal é um dos principais responsáveis pelo aumento da pressão arterial. Quando consumido em grandes quantidades, provoca retenção de líquidos e maior esforço para o coração bombear sangue.

Alimentos como sopas instantâneas, enlatados, conservas, embutidos, salgadinhos e refeições congeladas costumam concentrar altos níveis de sódio. Mesmo produtos que não parecem salgados podem esconder quantidades significativas.

A pressão elevada danifica gradualmente as paredes das artérias, favorecendo o endurecimento e o estreitamento dos vasos.

Açúcares simples

O excesso de açúcar não afeta apenas o peso corporal. Ele também está associado ao aumento de triglicérides, resistência à insulina, diabetes tipo 2 e inflamação sistêmica.

Refrigerantes, doces, chocolates, massas refinadas e pães brancos provocam picos rápidos de glicose no sangue. A longo prazo, esse desequilíbrio contribui para o depósito de gordura nas artérias e aumenta o risco cardiovascular.

O consumo frequente de bebidas açucaradas, por exemplo, já foi associado ao maior risco de doenças do coração em diversos estudos científicos.

Gorduras saturadas e trans

As gorduras de origem animal, quando consumidas em excesso, elevam os níveis de LDL (colesterol ruim). Carnes gordurosas, vísceras, embutidos, queijos amarelos, manteiga e laticínios integrais entram nessa lista.

As gorduras trans, presentes em bolachas recheadas, sorvetes cremosos, produtos folhados e alimentos ultraprocessados crocantes, são ainda mais prejudiciais. Elas aumentam o LDL e reduzem o HDL (colesterol bom), favorecendo o acúmulo de placas nas artérias.

Esse desequilíbrio lipídico é um dos principais fatores associados à aterosclerose.

Frituras e ultraprocessados

Alimentos fritos frequentemente são preparados com óleos reutilizados, que sofrem alterações químicas prejudiciais. Além disso, muitos produtos industrializados contêm gorduras de baixa qualidade e aditivos que estimulam o consumo exagerado.

Essa combinação aumenta o estado inflamatório do organismo e contribui para obesidade, hipertensão e dislipidemia, fatores diretamente ligados às doenças cardiovasculares.

O impacto comprovado da alimentação no risco cardiovascular

Diversas evidências científicas mostram que mudanças no estilo de vida podem reduzir em até 30% o risco de doenças cardiovasculares. A alimentação adequada desempenha papel central nesse cenário.

Reduzir o consumo de sal, açúcar e gorduras ruins, enquanto se aumenta a ingestão de alimentos naturais, pode melhorar significativamente os níveis de colesterol, pressão arterial e controle glicêmico.

Prevenção não é apenas evitar o infarto: é manter as artérias saudáveis antes que o problema apareça.

Alimentos que protegem o coração

Peixes ricos em ômega-3 ajudam a reduzir inflamações e triglicérides, além de favorecer o aumento do HDL. O azeite de oliva extra virgem contribui para equilibrar o colesterol e proteger os vasos.

A aveia, especialmente o farelo, é fonte de fibras solúveis que diminuem a absorção de colesterol. A soja e seus derivados auxiliam na redução do colesterol sanguíneo graças às proteínas vegetais e isoflavonas.

O suco de uva integral, rico em flavonoides, atua como antioxidante natural, ajudando a combater danos causados pelos radicais livres.

Frutas, verduras, legumes e cereais integrais também são aliados fundamentais, pois fornecem fibras, vitaminas e compostos bioativos que protegem o sistema cardiovascular.

Como “salvar” as artérias no dia a dia

Substituir temperos industrializados por alho, cebola, ervas frescas ou secas, cúrcuma, páprica, pimenta, cheiro-verde, limão e azeite é um passo simples e eficaz.

Esses ingredientes oferecem sabor verdadeiro e benefícios à saúde, sem excesso de sódio ou aditivos químicos. Aos poucos, o paladar se adapta, e a dependência de sabores artificiais diminui.

Cuidar do coração não exige dietas radicais, mas escolhas conscientes repetidas diariamente. Pequenas mudanças acumuladas ao longo do tempo são capazes de transformar a saúde das artérias e reduzir significativamente o risco de eventos cardiovasculares graves.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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