A polpa dentária, tecido localizado no interior dos dentes do siso, é rica em vasos sanguíneos, nervos e células‑tronco adultas. Essas células se destacam por sua elevada capacidade de multiplicação e diferenciação, em parte porque os sisos geralmente são extraídos entre a adolescência e o início da vida adulta, tornando-as relativamente jovens em comparação com outras fontes celulares.
Essa característica tem despertado interesse da medicina regenerativa. Um estudo publicado na revista Stem Cell Research & Therapy, realizado por pesquisadores da Universidade do País Basco, na Espanha, aponta que essas células‑tronco da polpa dentária podem ter aplicações futuras no tratamento de doenças neurológicas, cardiovasculares e ósseas, oferecendo perspectivas promissoras para terapias inovadoras.
Sisos na regeneração
Em laboratório, pesquisadores transformaram células da polpa dentária do siso em estruturas semelhantes a neurônios capazes de emitir sinais elétricos, fundamentais para a comunicação no sistema nervoso.
Essas células‑tronco (DPSCs) também podem se diferenciar em outros tecidos, incluindo músculo cardíaco e ósseo, apontando potencial para terapias regenerativas.
Sistema nervoso
- As células-tronco da polpa dentária conseguem sobreviver em ambiente do sistema nervoso central e, após estímulos genéticos, adquirem características neuronais (incluindo propriedades eletrofisiológicas).
- Implicação: potencial para estratégias de neuroregeneração (ex.: substituição neuronal, suporte à reparação pós-lesão).
Nível de comprovação: principalmente estudos in vitro e modelos animais — ainda pré-clínico.
Ossos e engenharia tecidual
- Demonstram diferenciação osteogênica, baixa imunogenicidade e boa viabilidade pós-criopreservação, favorecendo o armazenamento e uso futuro.
- Aplicações potenciais: enxertos, regeneração óssea e scaffold tissue engineering.
- Nível de comprovação: evidências experimentais e modelos animais; passos translacionais em andamento.
Coração
- Mostram capacidade de diferenciar em células com traços de miócitos cardíacos; estudos em animais registraram sinais de reparo tecidual e melhora funcional cardíaca.
- Potencial uso: terapia celular para insuficiência cardíaca ou cicatrização pós-infarto.
- Nível de comprovação: preliminar, baseado em modelos pré-clínicos; exige validação clínica.
Apesar do entusiasmo científico, especialistas destacam que o uso clínico amplo ainda depende de mais estudos, testes de segurança e validação regulatória. Hoje, a principal aplicação consolidada dessas células ainda está concentrada em pesquisas laboratoriais e em projetos experimentais de medicina regenerativa.






