Atualmente, o consumo de alimentos no Brasil passa por uma profunda transformação, marcada pela tensão entre o prazer estético e o controle corporal. Essa dualidade foi destacada na prévia do estudo “Tá Quente Brasil”, realizado pela FutureBrand São Paulo e apresentado na Naturaltech 2025. A versão completa está prevista para ser lançada em agosto desse ano.
O levantamento revela que a alimentação deixou de ser apenas uma necessidade básica para se tornar uma poderosa ferramenta de expressão pessoal, desempenho e pertencimento social, impactando diretamente os negócios e a comunicação das marcas.
Alimento com função
Nesse contexto, a funcionalização dos alimentos assume papel cada vez mais importante no comportamento alimentar dos brasileiros, refletindo uma demanda crescente por produtos que ofereçam benefícios específicos à saúde, como sopas com melatonina e cervejas enriquecidas com proteínas.
A busca pelo bem-estar, que antes era um segmento restrito, tornou-se um requisito essencial para marcas que desejam estabelecer conexões genuínas e duradouras com seu público. O consumo de alimentos, assim, transcende a nutrição, tornando-se uma forma de expressão social e de busca por pertencimento em meio às mudanças culturais.
Outras tendências alimentares
Paralelamente, nas redes sociais, convivem duas tendências: o consumo consciente e a celebração do exagero alimentar, exemplificada pelos vídeos de mukbang, que acumulam milhões de visualizações no TikTok. Essas plataformas exercem grande influência sobre os hábitos alimentares, com 34% dos brasileiros seguindo perfis de culinária — especialmente a geração X, que utiliza esses conteúdos como referência para comportamento, moda e bem-estar.
- Em 2024, o pistache ganhou destaque em diversos setores, como alimentos, bebidas, cosméticos e moda, registrando aumento de 80% nas importações.
- A busca pelo medicamento Ozempic, ligado à cultura “shape & shake” que prioriza o controle alimentar e o emagrecimento, cresceu 300% no mesmo ano.
- O segmento de food service registrou crescimento de 19% na receita e aumento de 12% no número de estabelecimentos, impulsionado pela valorização da culinária regional.
- Produtos típicos das regiões Norte e Nordeste, como refrigerante de caju e sorvete de paçoca, ganharam espaço no mercado consumidor.
Esses movimentos refletem as contradições e ambivalências que permeiam o comportamento alimentar em uma sociedade em constante transformação.






