A expansão das áreas urbanas no Brasil tem contribuído para uma convivência cada vez mais próxima entre seres humanos e animais silvestres, o que amplia as chances de disseminação de zoonoses — doenças infecciosas que transitam entre espécies.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), essas enfermidades correspondem a aproximadamente 60% das infecções emergentes em escala global. Práticas aparentemente inofensivas, como alimentar esses animais, podem intensificar o problema.
A oferta de alimentos, especialmente os ultraprocessados, interfere nos hábitos alimentares e no comportamento natural da fauna silvestre, incentivando a aproximação aos centros urbanos e a expansão de espécies não nativas. Esse tipo de interação favorece a propagação de microrganismos entre humanos e animais, aumentando os riscos sanitários para ambos.
Riscos dos animais silvestres
A raiva é uma das zoonoses mais graves, causada por um vírus que atinge o sistema nervoso central e é transmitida por mordidas ou arranhões. Entre 2010 e 2024, o Brasil registrou 48 casos de raiva humana, sendo dois com origem em primatas como os saguis, cada vez mais comuns nas cidades.
Outras doenças de destaque incluem a leptospirose, transmitida pela urina de roedores; a febre maculosa, que envolve o carrapato-estrela associado a capivaras; a gripe aviária, com surtos recentes entre aves migratórias e potencial de transmissão a humanos; e a Doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi e transmitida pelo barbeiro após contato com hospedeiros como gambás.
Especialistas reforçam a importância do conceito de “saúde única”, que reconhece a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental. A prevenção passa por medidas como vacinação de pets, evitar alimentar ou manipular animais silvestres e buscar atendimento imediato em caso de acidentes. A preservação responsável da fauna é essencial para prevenir surtos e garantir equilíbrio entre sociedade e natureza.






