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A maior biofábrica do mundo contra a dengue começa a operar

Por Leticia Florenço
21/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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O Brasil deu um passo ousado e pioneiro na luta contra a dengue, zika e chikungunya. Neste sábado (19), o Ministério da Saúde anunciou a inauguração, em Curitiba, da maior biofábrica do mundo dedicada à produção de mosquitos Aedes aegypti modificados com a bactéria Wolbachia.

A unidade, batizada de Wolbito do Brasil, promete revolucionar o controle das arboviroses em território nacional, e colocar o país como líder global em biotecnologia de saúde pública.

O que é a Wolbachia e por que ela é tão eficaz?

A Wolbachia é uma bactéria naturalmente presente em cerca de 60% dos insetos do planeta. Porém, ela não ocorre no Aedes aegypti, principal vetor de doenças como dengue, zika e chikungunya. Ao ser inserida artificialmente nesse mosquito, ela reduz sua capacidade de transmitir vírus aos seres humanos.

Isso acontece porque a Wolbachia competiria com os vírus dentro do organismo do mosquito, impedindo sua reprodução e disseminação. Quando os mosquitos infectados são liberados na natureza, eles se reproduzem com os mosquitos selvagens, criando uma nova geração naturalmente mais segura para os humanos.

A lógica por trás da multiplicação

Segundo o Ministério da Saúde, a liberação dos chamados “Wolbitos”, como são apelidados os mosquitos com Wolbachia, cria uma substituição progressiva dos mosquitos selvagens. Com o tempo, a maioria da população de Aedes aegypti carrega a bactéria, o que praticamente impede a transmissão das arboviroses sem necessidade de aplicações contínuas.

A vantagem desse processo é sua autossustentabilidade. Após o início da implementação, não é necessário reiniciar todo o processo a cada ciclo epidemiológico, o que garante uma redução progressiva e duradoura dos casos.

A biofábrica Wolbito do Brasil

Instalada em Curitiba, a Wolbito do Brasil é fruto de uma parceria entre o IBMP (Instituto de Biologia Molecular do Paraná), vinculado à Fiocruz, e o WMP (World Mosquito Program), uma organização internacional sem fins lucrativos.

Com investimento superior a R$ 82 milhões, a unidade será capaz de produzir 100 milhões de ovos de Aedes aegypti com Wolbachia por semana, um volume sem precedentes no mundo. A meta é alcançar a proteção de 14 milhões de brasileiros por ano, inicialmente atendendo exclusivamente ao Ministério da Saúde.

Resultados já comprovados

A tecnologia já vem sendo aplicada em algumas regiões brasileiras há mais de uma década. Em Niterói, no Rio de Janeiro, bairros onde os Wolbitos foram liberados registraram uma queda de 69% nos casos de dengue, segundo dados do próprio Ministério da Saúde.

Além dos ganhos evidentes em saúde pública, o impacto econômico também é considerável. Cada R$ 1 investido no método representa até R$ 500 economizados em medicamentos, internações e tratamentos médicos.

Cidades prioritárias para os primeiros Wolbitos da nova biofábrica

A operação da nova biofábrica será focada inicialmente em áreas críticas para a transmissão da dengue. As primeiras cidades a receberem os Wolbitos serão:

  • Balneário Camboriú (SC)
  • Blumenau (SC)
  • Novas regiões de Joinville (SC)
  • Valparaíso de Goiás (GO)
  • Luziânia (GO)
  • Distrito Federal (Brasília)

Essas regiões já estão em fase de comunicação e mobilização social, com as liberações previstas para acontecer entre agosto e setembro. A escolha dos municípios leva em conta critérios como densidade populacional, histórico de surtos e capacidade de monitoramento.

Brasil como referência mundial no combate biotecnológico à dengue

A inauguração da Wolbito do Brasil coloca o país na vanguarda internacional no uso de tecnologia biológica para a saúde coletiva. Como destacou o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha:

“Não existe nenhum lugar no mundo que produz a quantidade de mosquitos que nós passaremos a produzir aqui no Brasil com essa tecnologia inovadora.”

Mais do que um feito técnico, a iniciativa representa uma mudança estratégica de referência no combate às doenças tropicais, substituindo métodos reativos e emergenciais por soluções preventivas, sustentáveis e com resultados comprovados.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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