Apesar de responder por cerca de 33% das emissões de gases de efeito estufa, os sistemas alimentares recebem apenas 3% dos investimentos destinados a combater as mudanças climáticas. Uma desigualdade gritante que evidencia a urgência de repensar como produzimos e consumimos alimentos.
O setor de proteínas de origem animal é um dos que mais impactam o meio ambiente. Pesquisas indicam que 85% das terras aráveis são usadas para criação de animais, mas isso gera apenas 17% das calorias consumidas globalmente.
Diversificar a alimentação, incorporando alternativas às proteínas convencionais, é fundamental para criar sistemas alimentares resilientes e reduzir emissões de gases de efeito estufa.
O potencial das proteínas alternativas
As proteínas alternativas surgem como uma solução promissora. Elas podem ser produzidas por três caminhos principais:
- À base de plantas: Leguminosas como soja, ervilha e feijão que imitam aparência e sabor da carne.
- Fermentação: Microrganismos como fungos e algas transformados em proteína.
- Carne cultivada: Carne real produzida a partir de células, replicando processos biológicos naturais.
Estudos internacionais mostram que essas alternativas poderiam evitar a emissão de até 6,1 bilhões de toneladas de CO₂ por ano, equivalente a reflorestar uma área maior que a soma dos cinco maiores estados brasileiros.
Financiamento ainda é um desafio
Para alcançar escala, o setor precisa de investimento público e privado. Estima-se que sejam necessários 10,1 bilhões de dólares por ano, divididos entre incentivos ao setor privado e pesquisa e desenvolvimento.
Em comparação, investimentos em veículos elétricos chegam a 120 bilhões de euros (Volkswagen) e 35 bilhões de dólares (General Motors). A disparidade evidencia a necessidade urgente de priorizar o setor alimentar.
A pauta internacional
A discussão sobre alimentação e clima entrou na agenda global em 2022, na COP27, com foco em adaptação e mitigação. A COP28 reforçou que sistemas alimentares precisam estar no centro das ações climáticas, com NDCs específicas para o setor.
O desafio segue sendo regulamentar o setor e ampliar o financiamento para tecnologias que tornem as proteínas alternativas mais acessíveis.
Na COP30, o Brasil tem potencial para liderar. Com um histórico forte em pesquisa agrícola, o país pode desenvolver proteínas alternativas usando ingredientes locais, sem depender de importações.
Projetos como a transformação do bagaço de caju em matéria-prima para produtos cárneos vegetais mostram como inovação, pesquisa e financiamento podem gerar soluções sustentáveis, beneficiar agricultores familiares e contribuir para a resiliência climática.
Caminho para um futuro sustentável
Diversificar a alimentação é mais do que uma escolha individual, é uma estratégia global para enfrentar a crise climática.
Investir em proteínas alternativas, apoiar a pesquisa local e garantir financiamento são passos essenciais para alimentar o planeta de forma sustentável, preservando recursos naturais e reduzindo impactos ambientais.






