As manifestações cutâneas e nas mucosas representam os sinais mais comuns da anafilaxia, presentes em 70% a 95% dos casos, e se caracterizam por coceira, vermelhidão, placas ou manchas e inchaço facial. Alterações respiratórias ocorrem em cerca de 45% a 88% dos episódios, incluindo congestão nasal, espirros, aperto na garganta, tosse, chiado no peito e, em situações mais graves, insuficiência respiratória.
Sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos, cólicas e diarreia, são observados em 07% a 33% dos pacientes. Já as manifestações cardiovasculares — que englobam queda da pressão arterial, alterações nos batimentos cardíacos e parada cardíaca — afetam entre 20% e 64% dos casos.
Manifestações neurológicas, como tontura, cefaleia, crises convulsivas e confusão mental, estão presentes em 05% a 20% dos episódios. Além desses sinais, a anafilaxia pode provocar sensações de morte iminente, contrações uterinas, incontinência urinária ou fecal, além de alterações visuais e auditivas.
Cuidado com a anafilaxia
No Brasil, a anafilaxia permanece pouco reconhecida e frequentemente subdiagnosticada, dificultando a obtenção de um panorama preciso sobre a doença. Para enfrentar essa lacuna, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) estabeleceu o Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-ASBAI), uma iniciativa inédita voltada à coleta e análise sistemática de dados relacionados à condição. De acordo com o levantamento mais recente do registro:
Alimentos: responsáveis por 42,1% das reações
- Leite de vaca: 12,9%
- Mariscos: 6,9%
- Ovo: 5,6%
- Trigo: 3,1%
- Amendoim: 3,1%
Medicamentos: 32,4% dos casos
- Agentes biológicos: 10,4%
- Anti-inflamatórios: 7,2%
- Antibióticos: 3,8%
Insetos: 23,9% das reações
- Formiga: 8,4%
Látex: identificado em 11 pacientes
O registro inclui atualmente 318 pacientes, com idade média de 27 anos, abrangendo indivíduos de 2 a 81 anos. Do total, 163 são mulheres, e a maior incidência está concentrada nas regiões Sul e Sudeste, especialmente em São Paulo (22%), Minas Gerais (17,6%), Paraná (14,5%) e Rio de Janeiro (13,5%). Entre crianças, os meninos predominam, enquanto em adultos as mulheres apresentam maior frequência de casos






