A aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul marca um momento histórico nas relações econômicas entre os dois blocos.
O tratado, que ainda depende de aval do Parlamento Europeu, estabelece um cronograma de redução gradual de tarifas de importação e promete alterar o preço de diversos alimentos consumidos no Brasil, especialmente aqueles tradicionalmente associados à qualidade europeia.
Embora muitos produtos só alcancem alíquota zero após vários anos, o acordo prevê cortes progressivos desde o primeiro ano de vigência. Isso significa que os consumidores brasileiros podem sentir impactos nos preços antes do prazo final, à medida que as taxas de importação forem diminuindo de forma escalonada.
Chocolates europeus devem ganhar espaço nas prateleiras
Os chocolates importados da União Europeia, atualmente taxados em 20%, terão redução gradual até ficarem totalmente isentos no décimo ano do acordo.
Mesmo antes da eliminação completa do imposto, a tendência é de maior competitividade no setor, com aumento da oferta e possível pressão sobre os preços praticados no mercado nacional.
Queijos importados terão isenção com limites definidos
Os queijos europeus, que hoje pagam 16% de imposto de importação, também caminham para a isenção total no décimo ano. No entanto, haverá um limite anual de 30 mil toneladas para todo o Mercosul.
Após o teto, a cobrança de impostos volta a valer. A mozarela permanece fora do benefício e seguirá com tributação elevada, o que protege parte da produção nacional.
Azeite europeu pode ficar mais acessível ao consumidor
O azeite de oliva importado da União Europeia, atualmente taxado em 10%, terá sua alíquota zerada apenas no 15º ano, mas com reduções graduais desde o início do acordo.
Como o Brasil importa a maior parte do azeite que consome, especialmente de Portugal, a mudança pode gerar impacto significativo no preço final pago pelo consumidor.
Molhos de tomate italianos entram no radar
Os molhos de tomate europeus, sobretudo os italianos, terão as tarifas de importação de 18% eliminadas ao longo de dez anos. A expectativa é de maior presença desses produtos no mercado brasileiro, ampliando a concorrência e oferecendo mais opções aos consumidores.
Kiwi importado terá queda imediata de imposto
Diferentemente de outros produtos, o kiwi terá isenção total logo no primeiro ano de vigência do acordo. Como grande parte da fruta consumida no Brasil vem do exterior, principalmente do Chile, Grécia e Itália, a redução pode ser percebida de forma mais rápida nas gôndolas dos supermercados.
Vinhos europeus terão redução gradual das tarifas
Os vinhos importados da União Europeia, hoje tributados entre 20% e 27%, terão suas alíquotas reduzidas a zero entre o oitavo e o décimo ano, dependendo da categoria.
Alguns vinhos brancos de regiões específicas contarão com isenção imediata, favorecendo segmentos específicos do mercado.
Manteiga terá impacto limitado, mas positivo
Mesmo sendo pouco importada pelo Brasil, a manteiga europeia também entra no acordo. Assim que o tratado entrar em vigor, o produto terá redução de 30% na alíquota atual de 16%, um efeito mais simbólico do que estrutural, mas que amplia a diversidade de produtos disponíveis.
Agronegócio brasileiro comemora avanço histórico
Enquanto alguns agricultores europeus demonstram preocupação com a concorrência brasileira, no Brasil o acordo foi recebido com entusiasmo.
Cerca de 77% dos produtos agropecuários exportados pelo Mercosul à União Europeia terão suas tarifas eliminadas, beneficiando carnes, açúcar, óleos vegetais e outros itens estratégicos.
Projeções indicam crescimento das exportações
Estudos do Ipea apontam que, até 2040, as exportações brasileiras de carnes suína e de aves para a União Europeia podem crescer quase 20%. Esse avanço reforça o papel do Brasil como fornecedor global de alimentos e amplia a entrada de divisas no país.
A Associação Brasileira de Proteína Animal classificou o acordo como um marco para o comércio internacional, destacando novas oportunidades de exportação.
Já a Confederação Nacional da Indústria ressaltou o fortalecimento da indústria nacional e o reconhecimento de indicações geográficas, protegendo produtos regionais brasileiros e ampliando a presença de marcas nacionais no mercado europeu.
Apesar de os efeitos completos levarem anos para se concretizar, o acordo entre União Europeia e Mercosul tende a provocar transformações profundas no comércio, no consumo e na competitividade.
Para o brasileiro, o resultado mais visível será a ampliação da oferta e a possível redução de preços de alimentos importados, enquanto o país consolida sua posição no cenário econômico global.





