O açaí, tradicional fruta amazônica que se popularizou internacionalmente nos últimos anos, pode sofrer um salto expressivo de preço nos Estados Unidos caso se confirme a nova rodada de tarifas sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente Donald Trump.
A medida, que promete sobretaxar diversas importações a partir do dia 1º de agosto, ameaça diretamente a cadeia de fornecimento do açaí, cujos maiores volumes de exportação saem do Brasil e têm os EUA como principal destino.
Açaí pode virar artigo de luxo em mercados nos próximos dias
O mercado norte-americano se tornou, nos últimos anos, um dos mais receptivos ao açaí, que hoje figura em cardápios de restaurantes, cafeterias e redes de alimentação saudável espalhadas por todo o país.
A procura cresceu a ponto de transformar o fruto em tendência de consumo entre jovens, atletas e adeptos de dietas naturais.
No entanto, o produto já não é barato: uma simples tigela de açaí vendida em cidades como Nova York pode custar entre 13 e 18 dólares, algo entre 72 e 100 reais na cotação atual.
Caso entre em vigor o tarifaço proposto, com aumento de até 50% sobre o custo de importação, o impacto nos preços pode ser imediato. Especialistas calculam que uma porção básica, acompanhada de banana e granola, pode ultrapassar os 25 dólares, o equivalente a cerca de 140 reais.
Esse aumento tende a afastar consumidores mais sensíveis ao preço e a transformar o açaí de um item “fitness” popular em uma iguaria exclusiva de nicho, acessível apenas a um público de maior poder aquisitivo.
Possível aumento no preço do açaí preocupa exportadores
A situação preocupa exportadores brasileiros e comerciantes americanos. O Brasil exportou quase 90 toneladas de açaí em purê em 2024, somando cerca de 500 mil dólares em vendas. A produção, concentrada principalmente no Pará, abastece grande parte da demanda estrangeira.
Nos Estados Unidos, o fornecimento depende quase inteiramente da produção brasileira, o que dificulta alternativas em curto prazo.
Enquanto o governo brasileiro tenta articular uma saída diplomática para conter os efeitos do anúncio feito por Trump nas redes sociais no último dia 9 de julho, a possibilidade de encarecimento do açaí já começa a ser considerada seriamente pelos mercados.
Se nada mudar até sexta-feira, o que era um lanche saudável pode se tornar um símbolo de luxo.





