Na semana passada, uma reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, revelou uma movimentação suspeita no mercado financeiro que pode ter resultado em lucros milionários com base em informação privilegiada. O caso envolve o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
De acordo com a reportagem, enquanto a maioria do mercado foi surpreendida com a decisão, alguns investidores agiram com antecedência, comprando bilhões de dólares poucas horas antes do anúncio e vendendo quantia semelhante minutos depois, aproveitando a valorização da moeda americana frente ao real.
Essa operação coordenada, segundo especialistas, pode configurar fraude. Por conta disso, a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que determine a investigação do caso.
Operações com dólar antes do tarifaço de Trump levantam alerta de vantagem ilegal
A revelação deu início a uma nova frente de preocupações sobre possíveis práticas ilegais em torno do chamado “tarifaço de Trump”.
Às 13h30 do dia 9 de julho, ainda antes de qualquer declaração oficial, uma compra anormal de dólares foi registrada no mercado cambial brasileiro, com volume estimado entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões.
Três horas depois, às 16h17, Trump anunciou em suas redes sociais a aplicação de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras. Dois minutos após a publicação, a venda de dólares em volume quase idêntico ao da compra inicial provocou uma movimentação que gerou lucros expressivos.
A valorização da moeda americana em poucos minutos levantou a suspeita de que alguém tinha conhecimento prévio da medida. Isso porque, a tarifa imposta por Trump, embora justificada publicamente como uma ação de proteção comercial, foi considerada atípica por analistas.
A relação comercial entre os Estados Unidos e o Brasil, na época, favorecia os norte-americanos — o que torna a medida ainda mais estranha do ponto de vista econômico.
Especialistas do setor financeiro argumentam que o impacto das tarifas seria altamente negativo para a economia brasileira, ao encarecer produtos e reduzir a competitividade do país no exterior.
A decisão, portanto, provocou uma imediata desvalorização do real, o que beneficiou diretamente quem apostou contra a moeda brasileira pouco antes do anúncio.
AGU pede investigação sobre operação com dólar antes do tarifaço de Trump
Essa sequência de eventos chamou a atenção da Advocacia-Geral da União, que nesta semana solicitou ao Supremo Tribunal Federal a inclusão dessas operações cambiais suspeitas no inquérito que já investiga o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL).
O pedido, endereçado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, sugere que os fatos sejam analisados em conjunto com outras ações que apuram possíveis tentativas de obstrução da Justiça por parte do parlamentar e de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O documento da AGU também solicita que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja comunicada e que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tome medidas administrativas e civis.
A preocupação central é a possível utilização de informação ainda não pública para obter vantagem econômica, o que, segundo a legislação brasileira, caracteriza crime com pena de reclusão e multa.
Com a economia brasileira impactada pelas tarifas impostas por Donald Trump e o mercado financeiro sob suspeita, o episódio reacende o debate sobre a integridade nas relações entre política e finanças.






