O debate sobre redes sociais para menores cresce globalmente. No Reino Unido, o governo do primeiro-ministro Keir Starmer conduz uma consulta pública sobre segurança online infantil, que avalia medidas como restrição do uso por menores de 16 anos, limitação de recursos viciantes como rolagem infinita e reprodução automática, além de regras mais rígidas de verificação de idade e revisão da idade mínima de consentimento digital.
Nesse cenário, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, passou a defender de forma mais enfática a proibição do uso de redes sociais por menores de 16 anos.
Ele argumenta que as plataformas deveriam comprovar segurança para esse público antes de operar, comparando o setor digital a áreas reguladas como alimentos e medicamentos.
Proibição de redes sociais
Khan também chamou atenção para o avanço da misoginia online, especialmente em comunidades associadas à chamada “manosfera”, alertando que esse ambiente pode estar contribuindo para a formação de uma “geração perdida” de jovens homens.
Para ele, o problema não se limita ao acesso às redes, mas também à forma como algoritmos amplificam conteúdos nocivos e influenciam comportamentos.
A proposta britânica é influenciada por modelos internacionais, especialmente o da Austrália, que desde dezembro de 2025 proíbe o uso de redes sociais por menores de 16 anos em plataformas como Facebook, Instagram, TikTok, X, YouTube, Reddit, Snapchat e Twitch, com responsabilidade das empresas e aplicação de multas em caso de descumprimento.
Apesar do rigor, o modelo enfrenta dificuldades práticas, como tentativas de burlar a verificação de idade e limitações técnicas de controle.
Divergências
As empresas de tecnologia divergem sobre a forma de implementar o controle de idade. A Meta defende que a verificação seja realizada pelas lojas de aplicativos, enquanto a Apple afirma que essa função deve ser responsabilidade de cada desenvolvedor. Snap e X adotam posicionamento semelhante ao da Meta.
Em sentido contrário, organizações de proteção infantil contestam a ideia de uma proibição generalizada.
Entidades como NSPCC e Molly Rose Foundation sustentam que a medida não enfrenta as causas centrais do problema, como algoritmos que amplificam conteúdos prejudiciais e falhas na moderação, e defendem o fortalecimento das regras de regulação das plataformas.






