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Inverno de 2026 vai quebrar padrões históricos com calor acima da média e chuvas recordes

Por Leticia Florenço
03/06/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Chuva - Reprodução/Unsplash

Chuva - Reprodução/Unsplash

O inverno de 2026 poderá apresentar características bastante diferentes das registradas historicamente na América do Sul.

De acordo com o prognóstico trimestral divulgado pelo Serviço Meteorológico Nacional (SMN) da Argentina, os meses de junho, julho e agosto devem ser marcados por temperaturas acima da média e volumes de chuva superiores ao normal em diversas regiões do continente.

A previsão tem como foco o território argentino, mas especialistas alertam que os fenômenos atmosféricos responsáveis pelas mudanças podem influenciar todo o Cone Sul, incluindo áreas do Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile.

O principal fator observado pelos meteorologistas é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que aumenta as chances de formação do fenômeno El Niño.

Temperaturas acima dos padrões históricos

Os mapas climáticos divulgados pelo SMN indicam predominância de temperaturas superiores à média histórica durante toda a estação.

As áreas mais afetadas pelo calor anormal devem ser o norte da Argentina e a região de Cuyo, onde províncias como Salta, Formosa, Chaco, Córdoba, Santa Fé e Mendoza poderão registrar marcas acima dos padrões observados em anos anteriores.

A tendência também alcança grandes centros urbanos. Buenos Aires e a Região Metropolitana de Buenos Aires (AMBA) deverão enfrentar um inverno mais ameno, com menos episódios prolongados de frio intenso.

Chuvas acima da média acendem alerta

Além das temperaturas elevadas, o relatório aponta uma forte probabilidade de precipitações acima da média em importantes áreas da Argentina. Regiões como Buenos Aires, La Pampa, Misiones e Corrientes estão entre as mais propensas a registrar acumulados elevados durante o trimestre.

Em algumas localidades da região central do país, os volumes de chuva poderão superar os 120 milímetros ao longo do inverno. O cenário aumenta a preocupação com episódios de alagamentos, excesso de umidade e ocorrência de temporais consecutivos.

Especialistas destacam que a combinação entre calor e umidade pode favorecer a formação de sistemas meteorológicos mais intensos, ampliando os riscos para áreas urbanas e rurais.

Diferença climática

Enquanto parte da América do Sul deve enfrentar excesso de chuva, outras regiões continuam convivendo com um cenário oposto. O noroeste do continente permanece sob influência de uma prolongada redução das precipitações, fenômeno que vem sendo classificado por pesquisadores como uma megaseca.

Nessas áreas, a previsão indica manutenção das condições de estiagem durante o inverno, agravando desafios relacionados ao abastecimento de água e à produção agrícola.

El Niño ganha força nos modelos climáticos

O possível retorno do El Niño é apontado como um dos principais responsáveis pela mudança no comportamento climático. Segundo o SMN, os modelos atuais indicam cerca de 60% de probabilidade de desenvolvimento do fenômeno nos próximos meses.

O aquecimento das águas do Pacífico altera a circulação atmosférica global, influenciando diretamente os regimes de temperatura e chuva. Na América do Sul, o fenômeno costuma favorecer condições mais quentes e úmidas em diversas regiões, ao mesmo tempo em que modifica a atuação das frentes frias.

Impactos podem alcançar países vizinhos

Embora o prognóstico tenha sido elaborado para a Argentina, meteorologistas acompanham os possíveis reflexos para os demais países do Cone Sul. Alterações na circulação atmosférica frequentemente produzem efeitos que ultrapassam fronteiras, influenciando o clima em uma ampla área do continente.

Caso as projeções se confirmem, o inverno de 2026 poderá ser lembrado como uma das estações mais atípicas dos últimos anos, marcada por calor persistente, aumento das chuvas e mudanças significativas nos padrões climáticos tradicionais.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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