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Misoginia deve virar crime assim como racismo após votação favorável no Senado

Por Leticia Florenço
25/03/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Misoginia - Reprodução

Misoginia - Reprodução

O Senado Federal do Brasil aprovou, nesta terça-feira (24), o projeto de lei que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito e discriminação previstos na legislação brasileira. A proposta, identificada como PL 896/2023, segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

A medida estabelece pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para condutas que expressem ódio, aversão ou discriminação contra mulheres.

O que muda com a nova lei

Com a aprovação, a misoginia passa a ser formalmente reconhecida na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), ao lado de crimes motivados por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional.

O texto define misoginia como qualquer ação ou comportamento que manifeste ódio ou desprezo contra mulheres, ampliando o alcance da proteção legal. Na prática, condutas que antes eram tratadas como injúria ou difamação passam a ter enquadramento mais grave, dentro da legislação de crimes de preconceito.

Relatoria e ajustes no texto

A proposta foi relatada pela senadora Soraya Thronicke, que defendeu a separação entre injúria comum e injúria misógina, considerada mais grave no contexto de violência de gênero.

Segundo a relatora, o objetivo é evitar conflitos jurídicos e garantir maior clareza na aplicação da lei, especialmente em casos envolvendo discursos de ódio contra mulheres.

Autoria e justificativa do projeto

O projeto é de autoria da senadora Ana Paula Lobato, que afirmou que o Brasil enfrenta uma escalada de violência contra mulheres e que a legislação precisa refletir essa realidade.

Durante a defesa da proposta, ela destacou que a misoginia não se limita a ofensas isoladas, mas faz parte de uma estrutura social que pode resultar em violência física e feminicídios.

Debate no plenário

Apesar da aprovação unânime, o tema gerou discussões entre os parlamentares.

Alguns senadores defenderam a proposta como avanço no combate à violência de gênero. Outros demonstraram preocupação com possíveis impactos sobre a liberdade de expressão e com a ampliação da Lei do Racismo.

O senador Eduardo Girão e a senadora Damares Alves destacaram a necessidade de maior precisão jurídica para evitar interpretações excessivas da nova legislação.

Apoio de parlamentares e dados de violência

Senadoras como Leila Barros, Zenaide Maia e Teresa Leitão defenderam a aprovação do projeto, destacando o aumento da violência contra mulheres no país. O senador Fabiano Contarato também chamou atenção para os índices de feminicídio, classificando o cenário como alarmante.

Já o senador Randolfe Rodrigues afirmou que o país vive uma “epidemia de violência contra mulheres”.

Internet e discursos de ódio

Durante os debates, parlamentares citaram o crescimento de grupos e comunidades online que propagam discursos misóginos, especialmente em redes sociais. Segundo os senadores, esses ambientes digitais têm contribuído para a disseminação de ódio contra mulheres e para a normalização de comportamentos violentos.

Com aprovação no Senado, o projeto segue para a Câmara dos Deputados, onde poderá ser alterado antes de eventual sanção presidencial.

Caso seja aprovado em definitivo, o Brasil passará a contar com uma legislação específica que tipifica a misoginia como crime de preconceito, ampliando o arcabouço jurídico de proteção às mulheres.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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