Cerca de 600 milhões de pessoas adoecem anualmente após consumir alimentos contaminados, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Embora os casos sejam frequentemente associados a restaurantes e à indústria, pesquisas indicam que a maioria dos surtos tem origem dentro das próprias cozinhas residenciais.
No Brasil, essa realidade foi detalhada em estudo conduzido pela Universidade de São Paulo e publicado na revista científica Food and Humanity.
A pesquisa analisou práticas de higiene, manipulação e armazenamento de alimentos em mais de 5 mil cozinhas de todos os estados.
Hábitos ruins na cozinha
A metodologia incluiu questionários estruturados e, em etapa complementar, a medição da temperatura de refrigeradores em 216 residências da região metropolitana de São Paulo. Os resultados apontam falhas recorrentes na rotina doméstica:
Higienização inadequada de frutas e verduras
- Apenas 38% dos participantes afirmaram realizar a sanitização correta.
- 62% executam o procedimento de forma inadequada, o que pode manter microrganismos patogênicos na superfície dos alimentos.
Lavagem de carne crua na pia da cozinha
- 50% dos entrevistados relataram adotar essa prática.
- A lavagem não elimina bactérias e pode dispersar patógenos pela pia, utensílios e superfícies, aumentando o risco de contaminação cruzada.
Descongelamento em temperatura ambiente
- 39% informaram descongelar alimentos fora da geladeira.
- Temperaturas acima de 5 °C favorecem a rápida multiplicação bacteriana na superfície dos alimentos.
Consumo de carne malcozida
- 24% declararam ingerir carne insuficientemente cozida.
- O preparo inadequado pode não atingir temperaturas internas capazes de eliminar microrganismos nocivos.
Consumo de ovos crus ou pouco cozidos
- 17% relataram essa prática.
- O consumo nessas condições aumenta o risco de infecções alimentares.
Transporte inadequado de alimentos refrigerados
- 81% não utilizam sacolas térmicas ao transportar produtos perecíveis do mercado para casa.
- A exposição prolongada a temperaturas inadequadas favorece a proliferação bacteriana.
Armazenamento doméstico
- Mais de 90% dos refrigeradores avaliados estavam dentro da faixa segura de 0 °C a 10 °C.
- Apesar do dado positivo, os pesquisadores alertam que a temperatura adequada do refrigerador, isoladamente, não compensa erros nas demais etapas de manipulação e preparo.
O estudo também identificou influência de fatores socioeconômicos nos hábitos alimentares, sugerindo que a renda familiar impacta padrões de higiene e manipulação.






