Um estudo científico conduzido pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) tem apontado alta presença de cepas bacterianas resistentes a antimicrobianos — como antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasitários — em microrganismos que habitam naturalmente o intestino de pessoas e animais.
Resultados preliminares também sugerem a circulação da bactéria Escherichia coli entre diferentes espécies, o que amplia o alerta sanitário dentro da abordagem de saúde integrada que envolve humanos, animais e meio ambiente.
Hábitos que afetam animais
A E. coli é um microrganismo comum no intestino de mamíferos, porém algumas cepas patogênicas são capazes de provocar infecções severas.
Essa bactéria consegue incorporar material genético de outros microrganismos, o que contribui para o desenvolvimento de resistência a medicamentos e para o aumento de seu potencial de causar doenças.
A resistência aos antimicrobianos figura entre os maiores desafios atuais da saúde pública global, apresentando avanço significativo nos últimos anos e estimativas que indicam milhões de mortes anuais nas próximas décadas caso não haja controle rigoroso do uso desses medicamentos.
Esse cenário está associado principalmente ao uso inadequado de antimicrobianos em humanos e animais, somado à lenta criação de novos medicamentos.
A disseminação da resistência pode ocorrer entre diferentes espécies, sobretudo em contextos de convivência próxima, o que reforça a importância de monitoramento contínuo dentro da abordagem de Saúde Única.
Cuidados
Nesse cenário, especialistas ressaltam a necessidade de políticas mais rigorosas para prescrição e venda de antimicrobianos, assim como programas educativos que promovam seu uso consciente.
Adoção correta dos tratamentos, redução de aplicações preventivas sem indicação clínica e fortalecimento da vigilância sanitária são apontados como medidas essenciais para frear a disseminação das chamadas “superbactérias”.
As pesquisas em andamento na UFLA ampliam a compreensão sobre a circulação de bactérias entre espécies e os riscos do uso indiscriminado de antimicrobianos, fornecendo bases científicas para o desenvolvimento de políticas públicas e estratégias de prevenção na saúde humana e animal.






