Um parque marinho localizado no sul da França tornou-se alvo de críticas e questionamentos após permanecer fechado por quase um ano com animais ainda mantidos em suas instalações.
Administrado por uma grande empresa do setor de entretenimento, o espaço encerrou as atividades ao público, mas deixou orcas vivendo em tanques degradados por cerca de 11 meses, desde janeiro desse ano.
A situação ganhou dimensão internacional depois que imagens dos animais circularam amplamente nas redes sociais, pressionando autoridades francesas e a empresa responsável a apresentar soluções urgentes.
Parque fechado na França deixa animais abandonados por 11 meses
O caso envolve o Marineland, situado em Antibes, na região da Côte d’Azur, e controlado pelo grupo espanhol Parques Reunidos, que opera dezenas de parques de diversão ao redor do mundo.
O Marineland era conhecido por espetáculos com mamíferos marinhos e atrações voltadas ao turismo familiar.
No entanto, o parque fechou as portas em 5 de janeiro de 2025, em meio à adaptação a uma nova legislação francesa que proíbe apresentações com baleias, golfinhos e outros animais marinhos em cativeiro a partir de 2026.
Mesmo após o encerramento das atividades, duas orcas, chamadas Wikie e Keijo, permaneceram no local.
Sem um plano definido de realocação, os animais continuaram vivendo em tanques que, segundo especialistas e representantes do próprio parque, já apresentam sinais avançados de desgaste estrutural.
A permanência das orcas em um parque abandonado despertou preocupação de organizações ambientais, ativistas e do público em geral.
A repercussão aumentou após a divulgação de vídeos que mostram as orcas nadando em piscinas com acúmulo de algas, sem a rotina de estímulos que tinham quando o parque funcionava.
As imagens alcançaram milhões de visualizações e reacenderam o debate sobre o destino de animais mantidos em cativeiro após o fechamento de estabelecimentos desse tipo.
Empresa responsável pelo parque e governo francês ainda não solucionaram problema
A Parques Reunidos afirma que mantém equipes no local para garantir alimentação, cuidados veterinários e monitoramento diário das orcas. Ao mesmo tempo, reconhece que a situação é delicada e considera urgente a definição de uma solução permanente.
A empresa defende que o governo francês assuma um papel mais ativo no processo, dada a mudança na legislação e a complexidade logística envolvida no transporte de animais desse porte.
As autoridades francesas, por sua vez, informaram que aguardam relatórios técnicos sobre a segurança das piscinas e as condições de bem-estar dos animais antes de tomar decisões finais.
Entre as alternativas já discutidas estão a transferência das orcas para outro parque marinho ou para um santuário especializado, opções que enfrentam entraves legais, ambientais e administrativos.
Enquanto isso, Wikie e Keijo seguem no Marineland fechado, simbolizando um impasse que expõe os desafios da transição para políticas mais restritivas sobre o uso de animais em entretenimento e a responsabilidade das empresas após o fim de suas operações.





