Edcley S. Teixeira pagava R$ 10 para cada questão memorizada por estudantes, segundo depoimentos colhidos pelo G1.
O universitário, que vendia cursos e mentorias voltados ao Enem, virou alvo da Polícia Federal depois que vieram a público denúncias de que ele apresentou em uma live, dias antes do exame de 2025, perguntas idênticas ou muito próximas das que apareceriam na prova oficial.
A revelação provocou indignação entre candidatos que fizeram o exame neste ano e levou o Inep e o MEC a anularem três itens aplicados no segundo dia de provas.
Edcley S. Teixeira pagava R$ 10 para cada questão memorizada por estudantes
Edcley é estudante de medicina e atua há alguns anos como mentor de preparação para o Enem. Sua rotina nas redes inclui aulas, recomendações de estudo e a venda de pacotes fechados de orientações.
A investigação surgiu quando participantes do Prêmio Capes Talento Universitário relataram que o mentor os abordava antes da realização do concurso. Segundo esses estudantes, ele dizia estar interessado em estimular a participação deles no prêmio e oferecia ajuda com deslocamento.
A conversa mudava de tom quando Edcley pedia que, ao fim da prova, eles relatassem tudo o que conseguissem guardar da memória. Para cada questão detalhada, ele pagaria R$ 10, valor que poderia aumentar caso o material viesse com descrições mais completas.
Esses jovens afirmaram que não sabiam que o concurso funcionava como pré-teste de perguntas que podem, posteriormente, compor o banco de itens do Enem. Ao saírem das salas, repassavam imagens lembradas, temas e situações descritas nas telas do computador.
Com essa coleta, Edcley produziu apostilas e cursos vendidos por valores superiores a R$ 1 mil, sempre destacando que reunia questões pré-testadas com potencial de reaparecer no exame nacional.
Questões memorizadas por estudantes foram usadas em simulados de Edcley
O episódio ganhou força quando, em novembro, ele exibiu ao vivo perguntas muito próximas das que seriam cobradas na prova de 2025. Em grupos de WhatsApp com alunos, comemorou o acerto das previsões.
Com a repercussão do caso, denúncias se multiplicaram nas redes sociais, o Inep verificou coincidências relevantes e anulou as questões envolvidas, acionando a Polícia Federal para investigar possível violação de sigilo.
A defesa do universitário afirmou, em nota enviada à imprensa, que ele está colaborando com as autoridades e que confia na apuração para demonstrar que não cometeu qualquer ato ilícito. A investigação segue em andamento.





