Os dois domingos de aplicação do Enem 2025, nos dias 9 e 16 de novembro, acabaram deixando um rastro de dúvida entre muitos participantes.
Logo depois do segundo dia de prova, começaram a circular nas redes sociais acusações de que um homem que se apresenta como estudante de medicina e mentor educacional teria divulgado antecipadamente questões muito parecidas, ou iguais, às que apareceram nos cadernos oficiais.
A publicação de diversos prints e trechos de uma live feita em 11 de novembro reacendeu o debate sobre segurança do exame e levantou pedidos de anulação, ainda sem resposta do Ministério da Educação ou do Inep.
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A discussão ganhou força quando estudantes identificaram nas imagens da live no YouTube do mentor questões com o mesmo enunciado e, em alguns casos, com os mesmos números usados nos itens aplicados pelo Inep.
Na live, o homem, que se chama Edcley Teixeira, afirmava que não havia recebido nenhum conteúdo sigiloso e que apenas teria entendido o padrão das provas ao longo de anos de estudo.
Ele também dizia ter construído um algoritmo capaz de antecipar a lógica das questões, algo que, segundo ele, permitiria prever com precisão o estilo e a estrutura do exame.
Mais tarde, porém, a história descrita por ele se ampliou. Em materiais de estudo oferecidos aos seus alunos, o mentor relatava ter participado do chamado pré-teste do Enem, uma etapa em que o Inep avalia itens para uso futuro no exame.
Ele dizia ter memorizado dezenas de questões inéditas e afirmava que utilizava esse repertório apenas como inspiração para criar novas perguntas.
No texto que acompanha o material, o autor argumenta que recorrer à própria memória não configuraria crime, já que as questões produzidas para seus cursos seriam originais.
Também reforça que nenhum órgão poderia impedir alguém de lembrar do que viu em uma prova experimental. Veja abaixo no print do material oferecido pelo mentor:

As denúncias feitas nas redes sociais pelos participantes do Enem 2025, no entanto, sustentam que a semelhança entre as questões apresentadas na live e as utilizadas pelo Inep ultrapassa o nível de mera inspiração.
Para muitos, isso indicaria uso direto de conteúdo que deveria permanecer restrito ao banco interno de itens.
O caso gerou apreensão entre alunos, que temem que a prova seja anulada ou revisada. Contudo, por ora, não há qualquer indicação formal de que isso vai ocorrer.
Mas como as questões do ENEM são elaboradas e do que se trata o pré-teste?
A estrutura de elaboração das questões do Enem ajuda a entender por que esse tipo de suspeita tem impacto.
O Inep mantém um grande repositório de itens chamado Banco Nacional de Itens, abastecido por colaboradores credenciados e submetido a revisões técnicas, pedagógicas e estatísticas.
Antes de chegarem à prova, muitos itens passam por um pré-teste, etapa aplicada a um grupo selecionado de estudantes com perfil próximo ao do público geral. O objetivo é medir dificuldade, discriminação e outros parâmetros que garantam equilíbrio e qualidade no exame.
Nos últimos anos, o pré-teste tem sido realizado em formato de concurso, conhecido como Prêmio Capes Talento Universitário. Nele, estudantes de destaque em edições anteriores do Enem são convidados a resolver itens que ainda não entraram em uso.
O desempenho dos participantes define os premiados com valores que chegam a cinco mil reais para os mais bem colocados.
Essas questões testadas podem ou não ser utilizadas em provas futuras, mas permanecem sob sigilo. Todo o processo posterior, desde a seleção até a diagramação do exame, ocorre dentro de um ambiente de alta segurança.
Divulgar questões do pré-teste do ENEM é crime? Prova pode ser cancelada em 2025?
A falta de posicionamento oficial deixa a situação em aberto. Até agora, MEC e Inep mantiveram silêncio sobre as denúncias, o que impede qualquer confirmação sobre medidas futuras, incluindo cancelamento, troca de itens ou qualquer outra ação.
Também não há manifestação pública do Inep sobre o uso da memória de participantes do pré-teste para criação de materiais de estudo, algo que não é claramente regulamentado. Por isso, não é possível afirmar se divulgar questões do pré-teste é irregular ou não.
Ainda assim, existe um antecedente importante. Em 2013, um professor do Ceará foi condenado por repassar a seus alunos questões que haviam aparecido no pré-teste e depois foram usadas no Enem. Naquele caso, os itens foram anulados apenas para estudantes da sua região.
Diante desse histórico e da gravidade das acusações, participantes seguem atentos e aguardam uma definição. Até que as autoridades se pronunciem, não há como saber se o Enem 2025 corre risco real de anulação.





