O setor mundial de aparelhos auditivos é dominado por cinco grandes empresas: Sonova, sediada na Suíça; Demant e GN Store Nord, ambas da Dinamarca; Starkey, dos Estados Unidos; e o conglomerado WS Audiology, originado da fusão entre Widex e Signia.
Essas corporações detêm aproximadamente 98% do mercado global, exercendo forte influência sobre os preços e impondo barreiras à entrada de novos fabricantes. O resultado é um ambiente de concorrência restrita, que reduz a variedade de opções disponíveis e dificulta o acesso dos consumidores a produtos mais acessíveis e com informações transparentes.
Monopólio dos aparelhos auditivos
Em diversos países, acordos de exclusividade entre fabricantes e profissionais de saúde fortalecem o controle das grandes corporações e restringem a oferta de outras marcas. Muitos especialistas em reabilitação auditiva mantêm vínculos com empresas específicas e atuam como revendedores, o que compromete a imparcialidade das recomendações aos pacientes.
Nos Estados Unidos, esse grupo é conhecido como The Big Five. Em 2017, a Over-the-Counter Hearing Aid Act buscou ampliar a concorrência ao permitir a venda de aparelhos auditivos mais acessíveis e sem prescrição médica, mas enfrentou forte resistência das líderes do setor, que ampliaram investimentos em lobby, ultrapassando US$ 1,2 milhão em 2022.
Hoje, o preço médio de um par de aparelhos auditivos chega a cerca de US$ 5.000, impulsionado pelo modelo de bundle pricing, que inclui no valor os serviços do audiologista. Embora apresentado como forma de garantir qualidade, o sistema reduz a transparência e dificulta a comparação entre produtos.
Situação no Brasil
Em países em desenvolvimento, como o Brasil, o problema é ainda mais grave. A falta de fiscalização eficaz permite a venda de dispositivos sem registro sanitário, anunciados como “aparelhos auditivos”, mas que são apenas amplificadores de som vendidos por preços altos. Idosos, principais consumidores, tornam-se alvos de fraudes e desinformação, muitas vezes endividando-se por produtos ineficazes.
O SUS oferece aparelhos gratuitamente, mas longas filas e falta de informação dificultam o acesso. De acordo com a OMS, mais de 10 milhões de brasileiros vivem com algum grau de perda auditiva — número que tende a crescer. A ampliação da concorrência, a transparência nas informações e a educação preventiva são pilares essenciais para democratizar o acesso. Garantir o direito de ouvir é também garantir dignidade e inclusão social.





