No último domingo, dia 17 de agosto, os bolivianos foram às urnas para escolher o próximo presidente da República. O resultado, no entanto, não trouxe uma definição imediata, já que a eleição será decidida em um segundo turno marcado para 19 de outubro.
A surpresa não está apenas na indefinição, mas no fato inédito de que, pela primeira vez em duas décadas, nenhum candidato de esquerda chegou à fase final da disputa.
Em um dos países mais marcantes da política latino-americana, tradicionalmente governado pela esquerda desde a chegada de Evo Morales ao poder em 2006, a nova configuração eleitoral deixou muita gente se perguntando: quem são os finalistas e de que lado do espectro político estão?
De esquerda ou de direita? Saiba quem deve ser o novo presidente da Bolívia
A votação do primeiro turno terminou com o senador Rodrigo Paz Pereira na liderança, com pouco mais de 32% dos votos válidos, seguido pelo ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, que obteve cerca de 27%.
Ambos os políticos têm trajetórias ligadas a partidos de direita, embora com perfis diferentes.
Paz, economista e filho de um ex-presidente social-democrata, adotou um tom mais moderado e centrista durante a campanha. Com um discurso voltado à classe média e à renovação institucional, ele surpreendeu ao ultrapassar favoritos e se posicionar como o rosto da mudança.
Já Quiroga, veterano da política boliviana, é identificado com a direita tradicional. Foi vice de Hugo Banzer, que foi um ex-ditador que se elegeu democraticamente nos anos 1990, e chegou a ocupar a presidência entre 2001 e 2002.
Esquerda sofreu derrota nunca vista antes na Bolívia
O Movimento ao Socialismo (MAS), legenda de Evo Morales e do atual presidente Luis Arce, sofreu uma derrota sem precedentes. Dividido internamente e sem unidade em torno de uma candidatura, o partido colheu os efeitos de anos de crise econômica e disputas internas.
Eduardo del Castillo, o candidato oficial do MAS, mal superou os 3% dos votos. Andrónico Rodríguez, visto como sucessor natural de Morales, também ficou aquém, com pouco mais de 8%.
A esquerda, fragmentada e sem uma liderança consensual, perdeu espaço num cenário em que a inflação, a falta de dólares e o desgaste do modelo estatista pesaram.
Agora, com dois candidatos de direita disputando a presidência, a Bolívia se prepara para virar a página de um longo ciclo político e enfrentar um novo capítulo de sua história.






